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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O monte da paz e da justiça

Nas Vésperas da quinta-feira da II semana do Saltério, o Salmo 71 reza no terceiro versículo: “Das montanhas venha a paz a todo o povo, e desça das colinas a justiça”. Falando do rei Salomão, conhecido e preferido pelo povo como um rei justo, louvável e digno de admiração, a autor sagrado prefigura o novo Salomão, o rei justíssimo que trará ao povo eleito a paz e a justiça de Iahweh.
Para tal vinda virtuosa, o salmista se utiliza de duas figuras conhecidas nas Escrituras Sagradas: a montanha e a colina. Embora não existindo altitude prescrita para a diferenciação, como montanha se considera um elevado acidente geográfico pouco maior que a colina. Como também já conhecemos, a maioria dos rios nasce nas montanhas, e assim acorrem até a planície para formarem o grande emaranhado de aguas que rodeia a terra e compõe o grande e harmonioso conjunto da criação.
Pois bem. Também é de nosso conhecimento que, a montanha, monte, colina, morro ou como quisermos chamar é uma importante figura que possui um profundo sentido bíblico-teológico. A montanha foi o lugar donde Moisés recebeu de Deus os mandamentos que norteariam a vida do povo escolhido. É da montanha que a Bíblia se refere ao citar as expressões “subir do Egito” ou “subir a Jerusalém”. Foi para a montanha que o povo de Deus se dirigia para visitar o antigo templo do Deus Altíssimo, na Cidade Santa. E foi ainda à montanha que Nosso Senhor subia tantas vezes para rezar, onde se transfigurou diante de Pedro, Tiago e João, onde proferiu o célebre Sermão da Montanha. No alto do Monte Calvário, ainda o Senhor deu a vida em resgate de muitos, entregando-se em oblação no altar do Santo Lenho. Enfim, o monte é lugar santo, terra abençoada, solo sagrado, pois é tido como lugar da divindade, da manifestação de Deus ao seu povo. “Levou-me ao alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém celeste, morada do Altíssimo”, narra-nos São João no Apocalipse, mostrando-nos a epifania escatológica do Reino de Deus.
Com esta introdução, podemos entender melhor o que tenta transmitir o salmista em seus versículos inspirados e banhados pelo Espírito Santo, quando nos revela que a paz verdadeira nos virá do alto do monte, e a justiça descerá das colinas, tal como rio que nasce no cume e lava toda montanha até desaguar no grande mar. A algum tempo vi uma belíssima imagem, que relembrei ao rezar este versículo do salmo. A gravura retratava uma montanha, tendo em seu cume uma igreja majestosa. Eis que saía do lado direito do templo um rio, que descia suavemente em tal monte. Ao chegar à superfície plana, ternos cordeiros bebiam desta fonte pura e cristalina. Podemos assim comparar esta leitura á tal representação. Eis que o rio que sai do lado direito do templo é o mesmo rio de graças, bênçãos e misericórdias que saiu do lado direto aberto de Cristo crucificado e abandonado no altar cruento da cruz, e a medida que corre, suave e puramente nos elos da história da Igreja, sacia a sede daqueles que acorrem até à sua Mãe e Mestra em busca da salvação, já prometida desde os tempos de Abraão, nosso pai na fé.
Nós somos o rebanho do Pai, que Cristo, em sua imensa ternura carrega em seu colo e dá-nos a água restauradora e santificadora do seu Coração imaculado e puro. Somos os cordeiros que bebem incessantemente da fonte da Tradição, da Escritura e do Magistério católico, porque sabemos que a mesma fé da qual Cristo fundou sua Igreja está sólida e firme hoje na pessoa do Santo Padre e do Colégio dos apóstolos. Somos as ovelhas que balem constantemente: “Senhor, dá-nos sempre desta água”. Água cristalina do Coração aberto do Cordeiro de Deus, que tira e lava nossas vestes e deixa-nos puros da mancha do pecado e prontos, aptos e dignos de participar do “banquete celeste das bodas do Cordeiro”.Possamos nós ter a coragem de subir ao monte, subir á colina e encontrar ao Senhor de nossa vida. E assim, fazendo a experiência pessoal no monte de nossa existência, sermos capazes de anunciar e testemunhar a paz e a justiça que nos serão dados segundo nossa fé, e a partir daí nunca mais nos separarmos d’Ele.
Vivamos nossa vocação na sinceridade de coração.Elevemos nossos corações ate ás alturas da morada de Deus. Bebamos incessantemente da fonte da salvação, e vamos assim adorá-lo e servi-lo com espírito e coração santificados.
Santa Maria, Esperança nossa, Sede da Sabedoria. Rogai por nós.

Sem. João Eduardo Lamim
 

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