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segunda-feira, 8 de março de 2010


A cultura Neopentecostal

O rompimento com a Igreja Católica promovido por Martinho Lutero (1483-1546) trouxe para a contemporaneidade uma variedade de igrejas e várias maneiras de interpretação das Sagradas Escrituras. Atualmente percebemos várias correntes que acentuam uma nova maneira de ser e participar do culto e da sociedade. Uma corrente religiosa muito controversa e que tem feito surgir vários questionamentos até mesmo no campo universitário é o neopentecostalismo.
O fluxo migratório e a rápida urbanização favoreceram segundo alguns pesquisadores o êxito do pentecostalismo. Este que promovia uma integração social dos fiéis proporcionaria ampla participação dos fiéis nos cultos e também uma solidariedade entre os irmãos, sem contar que sua visão era a de retirar o fiel do mundo promovendo nele o desapego as coisas materiais e uma ascese que o aproximaria de Deus. Claramente percebíamos esses fatos em igrejas como a Assembléia de Deus que a um tempo atrás não permitia que as fiéis depilassem suas pernas e cortassem os cabelos (hoje já não é mais assim, pois tais seguimentos estão rendidos ao neopentecostalismo). Enfim o pentecostal tinha um costume parecido com o dos monges católicos, porém com a diferença de não estarem em mosteiros, mas ao invés mostrarem sua ascese no cotidiano da vida, como participantes do mundo.
Há no pentecostal uma forte crença na segunda vinda de Cristo e, por isso, eles conseguem separar bem o reino espiritual do reino material, assim o fiel deveria se apartar do mundo no interesse de viver uma vida nova baseado nas palavras de Jesus em que “o meu reino não é deste mundo”. Nem sequer o “crente” poderia se candidatar a um partido político, pois a dicotomia entre o reino de Deus e o reino dos homens era muito clara. A desvalorização do mundo na vida de um pentecostal era nítida.
Em algumas décadas atrás surgiu então uma nova forma de ser pentecostal que hoje chamamos de neopentecostalismo, cuja principal representante é a Assembléia do Reino de Deus. A partir de então ocorreu uma reviravolta no pensamento dos protestantes. A primeira vista parece que o individualismo e o secularismo do capitalismo invadiu a mentalidade evangélica, houve o fim da solidariedade, da ascese, e a fuga do mundo. Para o neopentecostal ter um bom relacionamento com Deus é se manter livre do Diabo e obter uma prosperidade financeira que garanta a felicidade (Teologia da Prosperidade) e a saúde do corpo. Uma borracha foi passada por cima dos sofrimentos de Cristo e também sobre sua célebre frase “Quem quer ser meu discípulo tome sua cruz e siga-me”(Mc 8, 34b). E de uma forma escandalosa o neopentecostal tem se rendido a estabelecer sólidos compromissos com o mundo, seus interesses e seus prazeres. A nova mentalidade protestante diz que, não é para fugir do mundo, mas desfrutá-lo e satisfazer as ambições pessoais.
Isso se torna tão evidente que a própria Igreja Universal do Reino de Deus promove cultos prometendo mudar a situação financeira da pessoa em rede nacional por uma felicidade prazerosa e passageira, se esquecendo que Jesus se fez o pobre dos pobres, até mesmo nasceu em um coxo de um estábulo. O neopentecostal se abriu para o mundo de tal forma que agora eles se abriram para a moda, a TV, os esportes, os acessórios, o acumulo de riquezas, as praias e tudo o mais que era considerado tabu para o pentecostal. Ao invés de correr do mundo, a busca pela santidade está em enfrentar o mundo como ele é. Em 1994, por exemplo, no verão, a Folha Universal incentivou as fiéis a qual tipo de biquíni deveriam usar para freqüentar a praia.
A partir dessa nova mentalidade abrem-se novos horizontes para o neopentecostal que com grande esforço desbrava tais caminhos como o da política. Muitos pastores como Edir Macedo se renderam a política se candidatando a cargos importantes e se tornando senadores e deputados. As igrejas são gerenciadas de uma forma muito moderna e o investimento de marketing é impressionante. Por exemplo, no Rio de Janeiro a Igreja Projeto Vida financiava um time de futebol da segunda divisão. O neopentecostal se rendeu tanto ao secularismo que igrejas como a Universal do Reino de Deus defendem o uso da camisinha e outras medidas mundanas.
O que está em questão na verdade não é a nova mentalidade que o neopentecostal adotou em relação ao pentecostal, o querer se dar bem na vida, ter muito dinheiro, buscar direitos perante a política, ir a praia é um direito de todos. Entretanto é muito perigoso fazer tudo isso em nome de Deus e pregar que isso é a vontade dele. A conversão perante uma atitude dessas perdeu todo o seu sentido, pois se converter é mudar de vida, mas o que pregam não é uma mudança e sim uma rendição aos prazeres e a satisfação pessoal que acarreta num individualismo exacerbado e um menosprezo do pobre que deixa de ser visto como um filho de Deus. Há, portanto, um total esvaziamento do evangelho. Ainda mais quando se pede dinheiro em troca de milagres. Jesus Cristo não é proselitista. A verdadeira felicidade não está nos prazeres deste mundo e sim no mundo em que ele nos preparou. O sofrimento não pode ser olhado somente como maldição, pois em muitos casos ele gera benção, se assim não fosse Cristo não teria sido crucificado.
 

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