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quinta-feira, 27 de maio de 2010

A teologia do hoje


É com saudade e aquele respeito pelo sagrado que me atrevo a escrever sobre este tema para a formação. Até a fonte do texto eu mudei. Da minha costumeira “Tahoma”, passei para a “Bookman Old Style”, que peço conservarem quando reproduzirem o texto.

A “teologia do hoje”, para nós, os primeiros, é uma daquelas marcas indeléveis que ferem a alma e a moldam para sempre. Hoje, talvez consideremos o próprio termo inadequado. Seria melhor, talvez, “a mística do tempo”. É, talvez. Para quem viveu o momento desta pregação do Moysés, porém, é verdadeira teologia, até mesmo epifania de Deus através do que vivíamos nos inícios da comunidade. Mostra, além disso, traços da espiritualidade do Fundador que não poderíamos ignorar sob pena de ignorar nossas próprias raízes, que, certamente, passam por sua vida e modo de ver Deus, a humanidade e os acontecimentos.

Que traço da espiritualidade do Fundador é expresso através da pregação que vamos tentar reproduzir? Um dos mais marcantes, no seu caso: a fé. Fé inabalável com relação ao chamado de Deus, que mesmo antes da fundação da comunidade compreendia como desde sempre e para sempre.Fé prática, concreta, a ser vivida em situações concretas do dia a dia, do tempo que o senhor nos dá, do tempo que se chama hoje. Fé que é impossível de ser vivida pelos fracos ou covardes, porque exige uma tremenda violência de coração, outra característica do nosso Fundador.

O tema que ficou conhecida como “teologia do hoje”, pregado em 1985, ensinou-nos que Deus é fiel e imprimiu-se em nós como direcionamento de nossa atitude diante dos desafios. Ensinou-nos que Seu chamado é irrevogável como os Seus dons. Que Ele tem um plano perfeito para nós, ainda que não o compreendamos, ainda que não vejamos evidências de sua realização. Era, na vida do Moysés, a raiz firme da famosa “paciência histórica” que ele, antecipando-se em dois anos a Bento XVI, pediu à comunidade reunida no Capítulo de 2003 e tanto prega hoje.

Era, também, a raiz da esperança e da caridade que fazem com que, mesmo diante das dificuldades aparente intransponíveis, jamais desista de uma inspiração de Deus e que, ainda quando criticado ou incompreendido, jamais desista de uma pessoa, nem a “descarte”, mas tente até a última instância – a vontade profunda da própria pessoa – fazer com que ela permaneça fiel ao chamado irrevogável dAquele que a criou, ainda que isso “dê trabalho” e ofereça desafios à comunidade. Tudo para que, uma vez tendo sido chamada por Deus, a pessoa não “caia no deserto”, ao meio da caminhada, desistindo do chamado desde sempre e para sempre, lhe foi feito por Deus.

Se olharmos para trás em nossa história, veremos que o tema do tempo como provador da fé teve fases bastante nítidas. É como descer degrau por degrau rumo a uma nascente profunda, escondida em uma gruta. Acontece assim, aliás, com os diversos temas principais de nossa espiritualidade. Com relação à mística do tempo, teríamos um primeiro momento com: “A Teologia do Hoje”; um segundo momento, o da descoberta de que o tempo é criatura de Deus; o tempo como parte da providência de Deus e o tempo como parte da paciência histórica. Há, aí, um nítido aprofundamento ou maturação e uma crescente confiança na misericórdia e cuidado de Deus, que nos oferece provas, mas jamais nos abandona. O primeiro e o último degraus, os mais importantes, nos foram dados através do Fundador. Os degraus intermediários vieram por meio da Co-fundadora e o que aprendemos através de D. Albert de Monléon e Santo Agostinho. A síntese foi-nos dada pela poesia do Cristiano Pinheiro, ao nos ensinar que “o tempo esconde o/O que é eterno/Eterno”. Fico pasma de ver como, sem talvez jamais ter ouvido esta pregação, o Cristiano colheu do coração de Deus o segredo da “teologia do hoje”.

Em um ramo derivado deste tronco, há uma outra riqueza de nossa vocação, que também se configurou de formas diversas ao longo da nossa história. Trata-se da manifestação de Deus através dos desafios e provas oferecidas pelo tempo, nossa “epifania pessoal”, a evidência da presença de Deus em nossas vidas e a clarificação de Sua vontade através de nossa história quando dela fazemos memória bíblico-afetiva. Trata-se da “História da Salvação Pessoal”, metodologia que o Moysés desenvolveu desde os tempos do Colégio Cearense para que nos aprofundemos em nossa convicção do chamado e escolha de Deus que se torna evidente quando olhamos a nossa história pessoal a qual, no caso de cada um de nós, confunde-se com a história da manifestação do Carisma Shalom. Também esta inspiração relacionada ao tempo – já descoberta por Santo Agostinho em suas Confissões – evoluiu à medida em que fomos amadurecendo e compreendendo que, de fato, “o tempo esconde o que é eterno” e que ele foi criado para que o Verbo de Deus se fizesse carne no tempo e, através dele, em nós. Também nesta evolução, temos as bases lançadas pelo Fundador e desenvolvidas por vários de nós, inclusive a Co-fundadora.

Mas, vamos ao que era pregado nos primeiros tempos sobre a “Teologia do Hoje”. Primeiramente, conheçamos o contexto: Éramos sete Moysés, Timbó, Madalena, Jaqueline, Luiza e eu. Os ventos da incompreensão e mesmo da perseguição balançavam a pequena comunidade e a ameaçavam com duas terríveis armas do demônio: a dúvida, ou incerteza, e o desânimo, ou desencorajamento. Nesse ambiente contaminado pela tentação, havia clima para perguntas freqüentemente destruidoras de vocações: “O que será de mim?” e “Será que eu fiz certo ao deixar tudo e vir para cá?” Eis a orientação que recebemos do Fundador:

Tomemos Hebreus 3,7-19, segundo a Bíblia da Editora Ave-Maria, a única de que dispúnhamos - e a duras penas! - na época:



“Por isso, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como por ocasião da Revolta, como no dia da tentação no deserto, quando vossos pais me puseram à prova e viram o meu poder por quarenta anos. Eu me indignei contra aquela geração, porque andavam sempre extraviados em seu coração e não compreendiam absolutamente nada dos meus desígnios. Por isso, em minha ira, jurei que não haveriam de entrar no lugar de descanso que lhes prometera.(Sal 94, 8-11) Tomai precaução, meus irmãos, para que ninguém de vós venha a perder interiormente a fé, a ponto de abandonar o Deus vivo. Antes,animai-vos mutuamente cada dia durante todo o tempo compreendido na palavra hoje, para não acontecer que alguém se torne empedernido com a sedução do pecado. Porque somos incorporados a Cristo, mas sob a condição de conservarmos firme até o fim nossa fé dos primeiros dias, enquanto se nos diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como aconteceu no tempo da Revolta.

E quais foram os que se revoltaram contra o Senhor depois de terem ouvido a sua voz? Não foram todos os que saíram do Egito, conduzidos por Moisés? Contra quem esteve indignado o Senhor durante quarenta anos? Não foi contra os revoltosos, cujos corpos caíram no deserto?E a quem jurou que não entrariam no seu descanso senão a estes rebeldes? Portanto, estamos vendo: foi por causa da sua descrença que não puderam entrar.”



Nós fomos chamados por Deus, ouvimos a Sua voz. Qual tem sido a nossa resposta Àquele que nos chamou, que nos escolheu, que nos elegeu para esta magnífica vocação? Como os hebreus que cruzavam o deserto com Moisés, poderemos, frente às primeiras provas, nos revoltarmos, isto é, resistir à vontade de Deus, endurecer nossos corações e negar Seu chamado e eleição de cada um de nós.

Os hebreus foram provados no deserto e tiveram medo, olharam para o passado, preocuparam-se com o próprio futuro e, abalados em sua fé, desiludidos e desanimados, deixaram de olhar para o Senhor e passaram a olhar para si mesmos. Conseqüência: revoltaram-se contra o Senhor [mesmo] após terem ouvido a Sua voz. O resultado? O Senhor indignou-se contra eles e fez cair seus corpos no deserto. E qual a razão para a indignação do Senhor? A pouca fé do povo, a falta de confiança em suas promessas, o esquecimento do que havia dito a Sua voz: foi por causa de sua descrença que não puderam entrar.

Em nossa caminhada, corremos o risco de, diante dos desafios, mesmo tendo escutado de forma clara a vontade de Deus, começarmos a desconfiar dEle, de Suas promessas, de Sua voz que ouvimos e que nos moveu. Corremos o risco de olhar para nós mesmos – andavam sempre extraviados (isto é, fora de minhas vidas) em seus corações - e retirar os nossos olhos de Deus. Corremos o risco de voltarmos aos nossos planos e de termos saudades do que vivíamos antes de entrar na comunidade. As dificuldades naturais no interior da comunidade e os desafios no seu exterior podem nos atingir, nos abalar. Se não as enxergarmos como uma prova de Deus para nos fazer crescer na fé, um teste de Deus para ver se realmente confiamos nEle, podemos cair mortos no deserto, desanimados e destruídos pela falta de fé, confiança e amor a Deus – não compreendiam absolutamente nada dos meus desígnios.

Por isso, Hebreus nos diz: tomai precaução, meus irmãos, para que ninguém de vós venha a perder interiormente a fé, a ponto de abandonar o Deus vivo. Podemos estar na comunidade, fazer tudo o que temos de fazer, e no entanto, perder interiormente a fé que nos mantém firmes. É a fé que nos mantém de pé, lutando, acreditando, investindo nossas vidas no chamado que o Senhor nos fez, apesar das ameaças interiores e exteriores.

O conselho que a Palavra nos dá é claro: animai-vos mutuamente cada dia durante todo o tempo compreendido na palavra hoje para não acontecer que alguém se torne empedernido com a sedução do pecado.

É o hoje que devemos viver. É a isso que somos chamados: a viver o hoje de Deus, para quem tudo é presente. Não podemos deixar que nossas preocupações ou nossos egoísmos nos joguem nas preocupações com o futuro nem nas lembranças do passado. Deus nos chama a viver o Seu hoje, o hoje eterno que nos ultrapassa, mas no qual cremos. É hoje que devemos renovar nossa confiança em Deus. Não amanhã, não conforme o que venha a acontecer, não se Deus fizer isso ou aquilo, não se Deus der este ou aquele sinal, mas incondicionalmente. Incondicionalmente, devemos crer e viver o hoje eterno de Deus, isto é, todo o tempo compreendido na palavra hoje.

O viver o hoje, o agora, é sinal de grande confiança em Deus. É também sinal de humildade, sinal de que não direcionamos a nossa própria vida, mas que a colocamos em Suas mãos para que Ele a direcione. Sinal de que Ele é o Senhor, Ele é o Salvador e nós somos seus servos, que confiamos nEle humilde e incondicionalmente.

O que nos vai acontecer amanhã? Não nos interessa! Não é da nossa conta. É da conta de Deus. Ele é Deus, não nós! É Ele o Senhor desta vocação, desta Obra, desta comunidade, de nossas vidas. O Senhor nos dá o hoje, o agora para vivermos a inteira confiança nEle. Esta é a sua prova, este é o seu teste de amor para conosco. Se o amamos, se cremos que Ele nos chamou e escolheu, se respondemos “sim” ao Seu chamado, continuemos a confiar, hoje, nAquele que é fiel e coerente e vivamos o hoje, não o ontem, não o amanhã. É hoje que sou chamado a ser fiel. É hoje que acolho a Sua vontade. É vivendo o hoje que entro em Sua dimensão do eterno agora, com confiança irrestrita em Seu Amor e Sua fidelidade.

Viver bem o hoje, ser feliz hoje significa ser fiel ao Senhor hoje, sem medo das ameaças, das dificuldades, de monstros que, na verdade, existem mais dentro de nós do que fora de nós. Ser feliz significa ser fiel hoje. Significa, também, a força da vida comunitária: Animai-vos mutuamente cada dia durante todo o tempo compreendido na palavra hoje para não acontecer que alguém se torne empedernido com a sedução do pecado.

Precisamos nos animar uns aos outros. Sustentar uns aos outros. Trazer o outro para o hoje de Deus, para a confiança absoluta no Senhor, que nos chamou a viver esta dimensão de fé em Seus desígnios eternos. Sim, o Senhor tem para nós desígnios de eternidade. Cabe a cada um de nós animar-se interiormente na fé e animar os outros para a mesma fé, a mesma confiança, a mesma entrega corajosa e incondicional Àquele que nos chamou.

Cabe a nós não nos prendermos ao passado nem nos preocuparmos conosco mesmos, com o que haveremos de comer, com o que haveremos de vestir, com o que será de nós. Cabe-nos viver o hoje, sabendo que, em Deus, este hoje é eterno, sabendo que vivemos uma dimensão de eternidade, sabendo que estamos constantemente sendo provados em nossa fé e confiança em Deus e que Ele é eternamente fiel às Suas promessas e ao chamado eterno – não passageiro, mas para sempre – que Ele nos fez.

Eis aquilo do que consigo me lembrar, além da pequena sala um pouco escura, das bermudas dos meninos, do jeito de vestir das meninas, da carreira que se tinha que dar de vez em quando até a cozinha para a comida não queimar. Certamente os outros poderão acrescentar muitas coisas, ou até dizer “mas disso eu não me lembro”. Cada um guarda em sua memória este e outros momentos preciosos da nossa história com seus matizes pessoais. Nem sei se alguém ainda tem as anotações que fez naquele tempo, há 20 anos atrás. Somos muito descuidados com nossa própria história. Não dos damos conta do quanto ela é preciosa para nós e para as gerações que virão.

Tentei, ao máximo, separar conceitos que tínhamos naquele tempo -em que quase nunca dizíamos “Deus”, mas preferíamos usar “Senhor” – de conceitos mais modernos. Não sei se consegui. Sei que posso ver muito bem, nesta pregação dos primeiros tempos da comunidade e no impacto que ela teve sobre nós em um momento de necessidade e de unção muito especial, a bendita raiz da fé inabalável e da violência de coração que caracterizam a espiritualidade do nosso fundador e que deveriam nortear as nossas vidas em todo o tempo compreendido na palavra HOJE.

Maria Emir Nogueira
Comundade Shalom

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Pobreza e a Beleza na Santa Missa



A Missa é o coração da cristandade, afinal é nesta celebração que meditamos sobre todo o amor de Deus aos homens. No altar os fiéis contemplam a mística da Verdade e conhecem os mais belos dogmas da Igreja. A sua realidade sacrificial nos obrigar a refletir e mergulhar na grandeza imensurável de Cristo.
As normas litúrgicas e o missal refletem, apenas, o entendimento acerca do sentido sobrenatural da Santa Missa. Quando nós compreendemos a profundidade da celebração eucarística, todas as regras emitidas pela Igreja são entendidas como consequência. O centro da Liturgia é o Cristo, um Deus feito homem e que pelos homens morreu para salvá-los. Como Sacrifício, a Missa traduz a entrega de Jesus, o Seu amor infinito, de um Deus humilhado. Não é motivo de perplexidade pensar que o Senhor Todo-Poderoso Se fez nascer numa manjedoura, Se diminuiu ao conviver com pecadores e excluídos e, além disso, Se entregou num perfeito holocausto?
A Santa Missa exprime essa perfeita doação de Deus. Quando os adornos e a beleza, que só servem como caminho e não como fim, se tornam centro da celebração, a Liturgia se distancia drasticamente da sua sobrenaturalidade. A sobriedade, sacralidade e solenidade da Missa traduzem, apenas, o sentido místico da celebração. Por si só a ornamentação é vazia, inócua e ineficiente, mas quando é usada como via pode ser um caminho pedagógico muito saudável, explanando os mistérios e expondo a riqueza do cristianismo.
Como a Igreja cresceu na Europa? Através da beleza das imagens, dos vitrais, das catedrais, mas acima de tudo da Santa Missa. Os povos pagãos se sentiam atraídos por uma força silenciosa que os vivificava. Quando Clóvis, Rei dos Francos, foi se batizar na Catedral de Reims, na França, perguntou a São Remígio, depois de contemplar a riqueza e beleza daquele templo, que parecia resplandecer uma fagulha do esplendor da morada celeste: “Padre, isso já é o céu?” Outro fato histórico interessante é o ocorrido quando da primeira Missa celebrada no Brasil, por Frei Henrique de Coimbra, em Porto Seguro. Os curiosos indígenas se aproximavam do altar e contemplavam aqueles estranhos homens se humilhando em frente a uma Cruz. Quando um segundo grupo de índios se aproximou do local o seu líder questionou o que era aquilo, o chefe do primeiro bando, prontamente, apontou para o céu e apontou para a terra, expondo com perfeição o caráter vertical da Missa; a ligação do homem com Deus.
Beato Antônio Chevrier, fundador do Instituto do Prado, já dizia no seu grande livro “O Verdadeiro Discípulo” que “quando se constrói uma casa, começa-se sempre pelas paredes grossas e, seguidamente, vai-se ao mais fino e aos ornamentos.” O Apóstolo dos Mendigos se referia ao ensino do catecismo, mas essa sua brilhante explanação vale também para a Liturgia. O que seria a Missa se não estivesse fundamentada sobre Cristo? O centro da celebração é Nosso Senhor, o Deus entregue em Sacrifício. São Leonardo de Porto-Maurício, um dos maiores pregadores da cristandade, afirmava que a todas as Missas celebradas na Igreja tinham a mesma validade, mas diferiam nos efeitos causados na assembléia, e por quê? Quantas vezes vamos a uma celebração e mesmo como todo o esforço não conseguimos nos ligar ao mistério do altar? Quantas vezes saímos até mesmo cansados da Liturgia? Tais efeitos são consequências de uma celebração carregada, normativa, Missas meramente burocratizadas e que se perderam entre a desobediência ao missal e o desrespeito ao espírito litúrgico católico.
Qual fiel não agiria com toda reverência e piedade sabendo que no altar se faz presente Deus com Seu corpo, sangue, alma e divindade? Qual de nós não se prostraria no chão ao contemplar o Senhor? Quem não se desmancharia em lágrimas se fosse visitado por Cristo em pessoa? Mas a Eucaristia é isso em concreto! Deus, não satisfeito em Se entregar em Sacrifício, ainda mostrou Seu imensurável amor ao ficar com o povo com toda a Sua plenitude.
Não poucas vezes a Missa vira um espetáculo, um teatro vazio. Isso ocorre por causa do distanciamento do caráter central da celebração; Cristo e Seu Mistério. O Apóstolo da Santa Missa, São Leonardo, já dizia que o meio mais adequado para assistir a Liturgia “consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.” Ou seja, devemos mergulhar na santa alegria ao contemplar o Senhor que com o Seu amor veio ao mundo para nos salvar. Isso é motivo de regozijo, entretanto, e ao mesmo tempo, devemos sempre ter em mente o sentido místico e sobrenatural da Liturgia. A celebração não é uma conexão horizontal, ou seja, homem e homem, mas uma conexão vertical, homem e Deus. Ocorre que, infelizmente, certas Missas ficam impregnadas por um certo espírito normativo. Não podemos nos acomodar com o hábito; não é porque vamos todo o Domingo – no mínimo – ao encontro de Cristo na Liturgia que perdemos a constante renovação e surpresa na adoração da Eucaristia! De forma alguma! Toda a Santa Missa, para nós, deve ser motivo de perplexidade, de alegria, de adoração, uma constante e eterna sensibilidade.
Beato Antônio Chevrier dizia que “Um Padre pobre e santo numa igreja de madeira converterá mais pecadores do que um Padre ordinário numa igreja de ouro e de mármore e ornamentada de toda a espécie de belezas exteriores.” O que ele quer nos dizer com isso? Que a beleza por si só, o adorno e a ornamentação, são vazios de sentido se não estão centrados em Cristo. Chevrier continua: “Não seja necessário condenar o culto exterior, não, pois que a Igreja o pede e nós somos compostos dum corpo e de uma alma e as coisas exteriores devem levar-nos a Deus. Mas não nos deixemos levar por esta paixão que existe nos nossos dias e não tomemos o acessório pelo principal (...) Nos ornamentos e nas outras coisas...importa que o pensamento de Deus sobressaia e não o pensamento da arte ou do gosto.” Com isso entendemos que a beleza da Missa é resultado do entendimento do mistério do altar, do Sacrifício de Jesus, Sua doação. A pobreza espiritual se une ao caminho da beleza.
Como não se chocar com o exemplo de Santa Isabel, Rainha da Hungria, que ao entrar na Igreja triunfava como majestade, adornada com a coroa, jóias, anéis e colares, mas que quando do início da celebração retirava todas as pedrarias, ouro e prata para se tornar pobre e deixar que apenas o brilho de Cristo reinasse dentro do templo. A santa vivia na corte, mas não era da corte, assim como nós vivemos no mundo, mas não somos do mundo. Era sobre isso que Pe. Antônio Vieira falava quando escreveu: “Deus comumente desposa-se no deserto, porque não acha no deserto as condições do Paço, hoje desposa-se no Paço, porque achou no Paço as condições do deserto (...) Reis que edificam desertos! Se dissera reis que edificam palácios, bem estava; mas reis que edificam desertos! Os desertos edificam-se? Antes desfazendo edifícios é que se fazem desertos. Pois que reis são estes, que trocam os termos à arquitetura? Que reis são estes que edificam desertos? São aqueles reis (diz S. Gregório Papa) em cujos paços reais de tal maneira se contemporiza com a vaidade da Terra, que se trata principalmente da verdade do Céu: e paços onde se serve a Deus como nos ermos, não são paços, mas desertos” (Sermões Vol.VII Sermão de São João Batista).
A Santa Missa nos pede, então, um aparente paradoxo; a pobreza e simplicidade e a solenidade e beleza. E por que apenas aparente paradoxo? Simplesmente porque o nosso esvaziamento é apenas momentâneo, já que na Liturgia ficamos cheios quando nos aproximamos do Senhor em todo o Seu esplendor eucarístico. Assim, quando melhor nos diminuímos melhor engrandecemos Cristo e Seu sacrifício. Uma celebração bela, adornada e bem cuidada não necessariamente é uma celebração embebida em mística e sobrenaturalidade. Infelizmente a história nos mostra as Missas-Óperas, condenadas com vigor por São Pio X, que servem como a representação máxima da degradação do rito quando norteado apenas por uma estética vazia. Por outro lado, quando compreendemos o esplendor da via pulchritudinis, ou seja, o caminho da beleza – e como o próprio nome diz é caminho e não o fim – mais perfeito é o nosso entendimento do mistério do altar, assim, o adorno, o detalhe, a ornamentação, são consequências imediatas da nossa kénosis.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Escândalos de Pedofilia: A guerra subliminar entre o laicismo e o Cristianismo

A questão dos sacerdotes pedófilos ou homossexuais, que rebentou recentemente na Alemanha, tem como alvo o Papa. E, dadas as enormidades temerárias da imprensa, cometeria um grave erro quem pensasse que o golpe não acertou no alvo – e um erro ainda mais grave quem pensasse que a questão morreria depressa, como morreram tantas questões parecidas. Não é isso que se passa. Está em curso uma guerra.

Não propriamente contra a pessoa do Papa porque, neste terreno, tal guerra é impossível: Bento XVI tornou-se inexpugnável pela sua imagem, pela sua serenidade, pela sua limpidez, firmeza e doutrina; só aquele sorriso manso basta para desbaratar um exército de adversários. Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo.

Os laicistas sabem perfeitamente que, se aquela batina branca fosse tocada, sequer, por uma pontinha de lama, toda a Igreja ficaria suja, e se a Igreja ficasse suja, suja ficaria igualmente a religião cristã. Foi por isso que os laicistas acompanharam esta campanha com palavras de ordem do tipo: «Quem voltará a mandar os filhos à igreja?», ou «Quem voltará a meter os filhos numa escola católica?», ou ainda: «Quem internará os filhos num hospital ou numa clínica católica?»

Há uns dias, uma laicista deixou escapar uma observação reveladora: «A relevância das revelações dos abusos sexuais de crianças por parte de sacerdotes mina a própria legitimação da Igreja Católica como garantia da educação dos mais novos.»

Pouco importa que semelhante sentença seja desprovida de qualquer base de prova, porque a mesma aparece cuidadosamente latente: «A relevância das revelações»; quantos são os sacerdotes pedófilos? 1%? 10%? Todos? Pouco importa também que a sentença seja completamente ilógica; bastaria substituir «sacerdotes» por «professores», ou por «políticos», ou por «jornalistas» para se «minar a legitimação» da escola pública, do parlamento, ou da imprensa.

Aquilo que importa é a insinuação, mesmo que feita à custa de um argumento grosseiro: os sacerdotes são pedófilos, portanto a Igreja não tem autoridade moral, portanto a educação católica é perigosa, portanto o cristianismo é um engano e um perigo. Esta guerra do laicismo contra o cristianismo é uma guerra campal; é preciso recuar ao nazismo e ao comunismo para se encontrar outra igual. Mudam os meios, mas o fim é o mesmo: hoje, como ontem, aquilo que se pretende é a destruição da religião. Ora, a Europa pagou esta fúria destrutiva ao preço da própria liberdade.

É incrível que sobretudo a Alemanha, que bate continuamente no peito pela memória desse preço que infligiu a toda a Europa, se esqueça dele, hoje que é democrática, recusando-se a compreender que, destruído o cristianismo, é a própria democracia que se perde. No passado, a destruição da religião comportou a destruição da razão; hoje, não conduz ao triunfo da razão laica, mas a uma segunda barbárie.

No plano ético, é a barbárie de quem mata um feto por ser prejudicial à «saúde psíquica» da mãe. De quem diz que um embrião é uma «bola de células», boa para fazer experiências. De quem mata um velho porque este já não tem família que cuide dele. De quem apressa o fim de um filho, porque este deixou de estar consciente e tem uma doença incurável. De quem pensa que progenitor «A» e progenitor «B» é o mesmo que «pai» e «mãe». De quem julga que a fé é como o cóccix, um órgão que deixou de participar na evolução, porque o homem deixou de precisar de cauda. E por aí fora…

Ou então, e considerando agora o lado político da guerra do laicismo contra o cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, eliminado o cristianismo, restará o multiculturalismo, de acordo com o qual todos os grupos têm direito à sua cultura. O relativismo, que pensa que todas as culturas são igualmente boas. O pacifismo, que nega a existência do mal.

Mas esta guerra contra o cristianismo seria menos perigosa se os cristãos a compreendessem; pelo contrário, muitos deles não percebem o que se está a passar. São os teólogos que se sentem frustrados com a supremacia intelectual de Bento XVI. Os bispos indecisos, que consideram que o compromisso com a modernidade é a melhor maneira de atualizar a mensagem cristã.

Os cardeais em crise de fé, que começam a insinuar que o celibato dos sacerdotes não é um dogma, e que talvez fosse melhor repensar essa questão. Os intelectuais católicos que acham que a Igreja tem um problema com o feminismo e que o cristianismo tem um diferendo por resolver com a sexualidade. As conferências episcopais que se enganam na ordem do dia e, enquanto auguram uma política de fronteiras abertas a todos, não têm a coragem de denunciar as agressões de que os cristãos são alvo, bem como a humilhação que são obrigados a suportar por serem colocados, todos sem descriminação, no banco dos réus. Ou ainda os chanceleres vindos do Leste, que exibem um ministro dos negócios estrangeiros homossexual, ao mesmo tempo que atacam o Papa com argumentos éticos; e os nascidos no Ocidente, que acham que este deve ser laico, que o mesmo é dizer anti-cristão.

A guerra dos laicistas vai continuar, quanto mais não seja porque um Papa como Bento XVI sorri, mas não recua um milímetro. Mas aqueles que compreendem esta intransigência papal têm de agarrar na situação com as duas mãos, não ficando de braços cruzados à espera do próximo golpe. Quem se limita a solidarizar-se com ele, ou entrou no horto das oliveiras de noite e às escondidas, ou então não percebeu o que está ali a fazer.»

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quem são Bispos de fato?


1. Introdução

Com o surgimento do Protestantismo Pentecostal, os fundadores de suas denominações resolveram intitular-se Bispos. É verdade que já no protestantismo histórico (Anglicanismo e Luteranismo) , este título já era usado por alguns de seus presbíteros. No Brasil os exemplos mais conhecidos são do “Bispo” Macedo e do “Bispo” Marcelo Crivella, ambos da Igreja Universal do Reino de Deus; o “Bispo” Rodovalho da Sara Nossa Terra e agora os “Bispos” Hernandes da Renascer em Cristo. Será que os “Bispos” pentecostais são Bispos de fato ou praticam falsidade ideológica?

2. A Origem da Hierarquia na Igreja

Nos escritos da Igreja Primitiva do início do séc. II é possível observarmos que a mesma já estava organizada hierarquicamente em bispos, presbíteros e diáconos.

O Bispo era o chefe de uma diocese, isto é, o chefe de um conjunto de paróquias geograficamente organizadas. Cada paróquia tinha como ministro um presbítero. Este era o sacerdote responsável por ministrar os sacramentos e orientar os fiéis na doutrina. Ele normalmente era auxiliado por diáconos.

Tudo isto é testificado, por exemplo, nas sete cartas de Santo Inácio de Antioquia (1) datadas em 107 d.C. Santo Inácio foi Bispo de Antioquia e discípulo pessoal dos Apóstolos Pedro e Paulo.

3. O Episcopado tem origem na Sucessão dos Apóstolos

Episcopado é o nome que se dá ao ministério do Bispo.

O Episcopado tem origem no ministério dos Apóstolos, isto é, foi o próprio Cristo que instituiu os Apóstolos como Bispos da Sua Igreja. Com efeito, a Bíblia ensina que Nosso Senhor Jesus Cristo deu o governo da Igreja aos Santos Apóstolos: "Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e, quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou" (Lc 10, 16).

Eles eram aqueles que estariam agora sentados na Cadeira de Moisés, no lugar dos escribas e Fariseus (cf. Mt 23,2-3). Por isto, o próprio Cristo deu a eles a autoridade que outrora foi dada a Moisés: ligar e desligar. Isto significa: definir o que é Certo e o que é Errado (cf. Mt 18,18). Por esta razão São Paulo ensina que “a Igreja do Deus Vivo é a Coluna e o Fundamento da Verdade” (cf. 1Tm 3,15).

Como os apóstolos não permaneceriam na terra para sempre, nas várias regiões aonde o Evangelho ia sendo pregado, iam instituindo novos Bispos que deveriam cuidar do rebanho de Cristo na ausência deles.

Talvez o testemunho histórico mais antigo sobre isto, esteja na Primeira Carta de São Clemente aos Coríntios (2). Escrita pelo ano de 90 d.C, Clemente que então era o 4o. Bispo de Roma na sucessão de Pedro, assim se expressa:

"42. Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos pregaram. Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo, portanto vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. As duas coisas, em ordem, provêm da vontade de Deus. Eles receberam instruções e, repletos de certeza, por causa da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, fortificados pela palavra de Deus e com plena certeza dada pelo Espírito Santo, saíram anunciando que o Reino de Deus estava para chegar. Pregavam pelos campos e cidades, e aí produziam suas primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos e diáconos dos futuros fiéis. Isso não era algo novo: desde há muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em algum lugar está escrito: ‘Estabelecerei seus bispos na justiça e seus diáconos na fé’".

"44. Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por esse motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião da morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério".

Como se vê, segundo a o ensinamento que os Apóstolos comunicaram a seus discípulos, os Bispos da Igreja são sucessores diretos dos Apóstolos. Isto quer dizer que fora da sucessão dos apóstolos não há Episcopado, logo não há Igreja de fato.

4. Testemunhos Históricos da Sucessão dos Apóstolos

O Protestantismo alega que a Sucessão Apostólica é algo inventado pela Igreja Católica para sustentar que só ela possui Bispos e presbíteros verdadeiros.

Em primeiro lugar, a Igreja Católica não alega que só ela possui Bispos e presbíteros verdadeiros. Ela também reconhece a validade dos ministros da Igreja Ortodoxa. Afinal, todos os Bispos ortodoxos são sucessores dos apóstolos, assim como os Bispos católicos. A Igreja Católica não reconhece é licitude do ministério ortodoxo, pois para o Catolicismo a Igreja Ortodoxa está em cisma, isto é, não está em plena comunhão com o Papa.

Em segundo lugar, é muito interessante notar como o subjetivismo protestante é capaz de reinventar até o passado. Não é a Igreja Católica que está inventando a Sucessão Apostólica para provar ser a Única Igreja de Cristo, mas é o Protestantismo que inventa que a Sucessão dos Apóstolos é uma ficção, pois ela é a maior prova de que as igrejas protestantes não são Igrejas de fato.

Eusébio de Cesaréia, Bispo e Historiador da Igreja dos primeiros quatro séculos, em sua obra “A História Eclesiástica” (2) registra para a posteridade a realidade histórica da sucessão dos apóstolos.

Daremos uma pequena amostra da Verdade ao leitor, transcrevendo os testemunhos históricos sobre a sucessão regular dos Bispos em Roma, pois os protestantes alegam que o Papa não é sucessor de Pedro, pois nunca existiu sucessão dos apóstolos na Igreja Primitiva. Vejamos:

"No atinente a seus outros companheiros, Paulo testemunha ter sido Clemente enviado às Gálias (2Tm 4,10); quanto a Lino, cuja presença junto dele em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo (2Tm 4,21), depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado" (HE III,4,8).

"A Vespasiano, depois de ter reinado 10 anos, sucedeu Tito, seu filho, como imperador. No segundo ano de seu reinado, o bispo Lino, depois de ter exercido durante doze anos o ministério da Igreja de Roma, transmitiu-o a Anacleto" (HE III,13).

"No décimo segundo ano do mesmo império [de Domiciano, irmão de Tito], Anacleto que foi bispo da Igreja de Roma durante doze anos, foi substituído por Clemente, que o Apóstolo [Paulo], na carta aos Filipenses, informa ter sido seu colaborador, nesses termos: 'Em companhia de Clemente e dos demais auxiliadores meus, cujos nomes estão no livro da vida'" (Fl 4,3).

"Relativamente aos bispos de Roma, no terceiro ano do reinado do supracitado imperador [Trajano], Clemente terminou a vida, passando seu múnus a Evaristo. No total, durante nove anos exercera o magistério da palavra de Deus" (HE III,34).

"Cerca do duodécimo ano do reinado de Trajano (...) Evaristo completado seu oitavo ano, Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo" (HE IV,1).

"No terceiro ano do mesmo governo [do imperador Aélio Adriano, sucessor de Trajano], Alexandre, bispo de Roma morreu, tendo completado o décimo ano de sua administração. Teve Xisto como sucessor" (HE IV,4).

"Ao atingir o império de Adriano já o duodécimo ano, Xisto, tendo completado o décimo ao de episcopado em Roma, teve Telésforo por sucessor, o sétimo depois dos apóstolos" (HE IV,5,5).

"Tendo ele [Aélio Adriano] cumprido sua incumbência, após vinte e um anos de reinado, sucedeu-lhe no governo do império romano Antonino, o Pio. No primeiro ano deste, Telésforo deixou a presente vida, no undécio ano de seu múnus e coube a Higino a herança do episcopado em Roma" (HE IV,10).

"Tendo Higino falecido após o quarto ano de episcopado, Pio tomou em mãos o ministério em Roma" (HE IV,11,6).

"E na cidade de Roma, tendo morrido Pio no décimo quinto ano de episcopado, Aniceto presidiu aos fiéis desta cidade" (HE IV,11,7).

"Já atingira o oitavo ano o império de que tratamos [Antonino Vero], quando Sotero sucedeu a Aniceto, que completara onze anos de episcopado na Igreja de Roma"(HE IV,19).

"Sotero, bispo da Igreja de Roma, chegou ao termo de sua vida no decurso do oitavo ano de episcopado. Sucedeu-lhe Eleutério, o décimo segundo a contar dos Apóstolos, no décimo sétimo ano do imperador Antonino Vero" (HE V,Introdução,1) .

"No décimo ano do império de Cômodo, Vítor sucedeu a Eleutério, que havia exercido o episcopado durante treze anos [...]" (HE V,22).

Basta percorrer os vários escritos deixados pelos discípulos dos Apóstolos que não faltarão provas e testemunhos históricos da sucessão dos apóstolos.

5. Conclusão

Sair por aí criando “igrejas” e se intitulando Bispo é um grande embuste, que infelizmente engana a muitos que não tem conhecimento da Fé de Sempre, que não possuem conhecimento do nosso passado, de nossas raízes, da Memória Cristã.

Como se pode constatar nos pelos testemunhos dos antigos cristãos, fora da sucessão regular dos Apóstolos não há verdadeiro Episcopado, logo não há verdadeiro ministério, logo não há Igreja de Fato. Por esta razão, os “Bispos” protestantes não são Bispos, e suas “igrejas” não são Igrejas.

Já está mais que na hora dos irmãos protestantes saírem de sua “redoma bíblica” e procurarem conhecer a Fé dos primeiros séculos. Pois o que foi Verdade sempre, não pode ser mentira agora.

Peço todos dias a Deus que assim como eu, outros protestantes possam ser libertos do subjetivismo de Lutero. E que mais católicos busquem uma vida santa e que ao contrário de Esaú, saibam do tesouro que possuem na Igreja Católica.

fonte: comunidadeshalom.com.br

 

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