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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Escândalos virão, mas ai de quem...



Caríssimos, disponibilizo a todos, o grande texto de um bispo do Brasil, Dom Cristiano Krapf, fazendo uma síntese das várias situações constrangedoras das quais a Igreja passa, com um excelente comentário. Seu texto está circulando nos principais blogs e vale a leitura, pois é atualíssima.

Adversários da Igreja tentam culpar o Papa por escândalos causados por padres.

O Papa disse no dia da sua eleição, e repetiu agora ao clero de Roma:O meu programa de Governo é de estar, com toda a Igreja, à escuta da palavra e da vontade do Senhor e deixar-me guiar por Ele, de modo que seja Ele a guiar a Igreja nesta hora da história. (Bento XVI) Quem o conhece sabe que se dedica por inteiro à sua missão de colocar a Igreja a serviço de um mundo melhor.

Bom programa para bispos: Colocar-se, com o clero e com a diocese toda, à escuta da palavra e da vontade do Senhor e deixar-se conduzir por Ele, de modo que seja Ele a guiar a diocese.

Bom programa para párocos: Colocar-se com todos os paroquianos à escuta da palavra e da vontade do Senhor e deixar-se conduzir por Ele, de modo que seja Ele a guiar a paróquia.

Quanto ao Papa, não há dúvida que vive inteiramente dedicado à sua missão de confirmar os irmãos na fé. Nas suas pregações se pode ver o cuidado que dedica ao estudo e à meditação da palavra de Deus. Será que se pode dizer o mesmo de todos os bispos e de todos os padres?

A corrupção do melhor o transforma no pior. Diante da grandeza da missão que Deus confiou aos padres, não posso deixar de falar sobre os escândalos causados por alguns e muito divulgados na imprensa e explorados pelos adversários.

Os escândalos mais propagados para desacreditar a mensagem da Igreja se referem a pecados contra o sexto mandamento: Não cometer adultério. Esse mandamento incomoda muita gente. Muitos falam e agem como se nada fosse pecado.

Propagam o libera geral, apoiados na camisinha que diminui o risco de consequências indesejadas. Mas as mesmas pessoas que dizem que tudo é permitido manifestam a sua indignação diante de qualquer deslize cometido por um padre. Por um lado, isso é bom sinal: No íntimo, ainda reconhecem que práticas sexuais fora do casamento são pecado, e que o sexto mandamento continua valendo para todos. Por outro lado, é sinal de hipocrisia, como daquele homem casado que ficou escandalizado ao ver um padre num motel, mas não achou errada sua própria presença naquele lugar.

No mundo moderno, a lei civil da maioria dos países não leva em conta o sexto mandamento, a não ser quando se trata de práticas de pedofilia, de abusos contra crianças. Tais abusos devem ser castigados com todo rigor para evitar que se repitam. Mas só pode haver condenação depois de uma investigação cuidadosa, e sigilosa na medida do possível. Seria necessário também um grande esforço de educação para a castidade dos adolescentes, e para a responsabilidade dos jovens, em vez de uma “educação sexual” com distribuição de camisinhas para menores.

Pesquisas na Alemanha indicam que a porcentagem de padres envolvidos em casos de pedofilia não é maior que nos outros setores que trabalham com crianças. Mas os adversários do celibato aproveitam a divulgação dos escândalos para culpar a Igreja pelos desvios de padres que não conseguem ser fiéis ao compromisso de dedicação total.

Quem acha que o problema maior do celibato seja ficar sem os prazeres do sexo, nada entendeu do assunto. O sacrifício maior é ficar sem um grande amor, passar a vida sem esposa e filhos. Quem não entende o sentido do celibato, também não aceita a exigência de fidelidade para casados e castidade para solteiros, e diz que a virgindade não vale nada. O celibato só faz sentido no contexto de uma entrega radical: Deixar tudo para seguir Jesus. O problema é que sempre nos persegue a tentação de retomar alguma coisa para nós.

Falando em castidade vou ser chamado de careta. Na Alemanha, na década de oitenta, uma editora famosa publicou um livro com a proposta de permitir atos de pedofilia, e um partido apresentou um pedido para descriminalizar o sexo com crianças. Hoje muitos querem descriminalizar o aborto, outro pecado muito grave. Naquele tempo, a moral sexual da Igreja era chamada de obstáculo repressivo contra a emancipação da sexualidade infantil. Hoje são publicados textos de “educação” sexual sem nenhuma conotação de formação moral.

Casos de pedofilia são noticiados quase todo dia em jornais locais. Quando é com padre, a notícia corre pelo mundo inteiro. É notícia, porque é coisa mais rara e espantosa que um padre se afaste tanto de sua missão de educador na fé que passe a fazer estragos na Igreja e no mundo.

Haverá escândalos, mas ai daquele … que escandalizar um só destes pequeninos. (Lc 17, 1-2) São as palavras mais pesadas de Jesus. Inimigos da Igreja fazem aumentar os escândalos, espalhando as notícias sobre pecados de padres. Aparecem algumas coincidências estranhas:

· A maioria das denúncias se refere a casos de práticas homossexuais com menores em décadas passadas.

· As acusações passaram a envolver bispos que não teriam usado do devido rigor para tirar tais padres pecadores da circulação.

· Com esse argumento, denunciantes e advogados conseguiram indenizações pesadas das dioceses, primeiro nos Estados Unidos, depois na Irlanda, agora na Alemanha.

· No Brasil apareceu um caso especialmente escandaloso em Alagoas que fez a cidade de Arapiraca ficar “famosa” no mundo inteiro. Um filminho mostra um monsenhor em práticas homossexuais com um jovem. O cenário foi armado em combinação com outro jovem. Os dois conseguiram extorquir dinheiro com a promessa de guardar segredo. Agora vendem o filminho e denunciam dois monsenhores por crimes de pedofilia, dizendo que os abusos começaram quando ainda eram menores. Em alguns países da Europa, onde os bispos têm o título de monsenhor, a notícia apareceu como se os dois pecadores fossem bispos.

· Adversários tentam atingir e desmoralizar os bispos e o Papa. Uma grande revista alemã fez uma reportagem com este título: Irmão do Papa envolvido com pedofilia quando era dirigente de um coral de meninos. Lendo o texto se vê que o “crime” dele foi outro, uma bofetada num menino que perturbava um ensaio do coral.

· Descobriram que no tempo que o Papa foi arcebispo de Munique, um padre pedófilo foi acolhido para tratamento psiquiátrico e não melhorou.

· Acusam o Papa que no seu tempo de responsável pela doutrina da fé não impediu casos de pedofilia na Igreja. Como podia controlar a vida pessoal dos 400 000 padres espalhados pelo mundo inteiro? Fez o possível para tratar as denúncias com o devido cuidado, aconselhando que os denunciantes recorressem à justiça civil.

Adversários do Papa fazem de tudo para desgastar a sua autoridade. Trazem notícias distorcidas sobre casos de quatro décadas atrás, para acusá-lo de falta de firmeza diante de novas denúncias sobre antigos abusos.

Para ver a hostilidade de muitos contra o Papa, basta conferir o que diz uma revista que pede a sua renúncia: Com sua autoridade desgastada, por que é que o Papa permanece no cargo?

A situação se complica dentro da Igreja, porque muitos católicos não conhecem os documentos da Igreja e os ensinamentos do Papa. Não ouvem seus discursos e não lêem seus escritos. Conhecem apenas as críticas dos descontentes e os argumentos deles contra exigências da Igreja.

A solução para a crise na Igreja e no mundo não está na diminuição das exigências morais e do ideal de santidade para padres e leigos, mas no aumento da disponibilidade de cada um para fazer a vontade de Deus.

Muitos falam da importância de construir a unidade dos cristãos. A Campanha da Fraternidade deste ano quer ser ecumênica, mas apenas quatro das centenas de igrejas descendentes da reforma protestante fazem parte do CONIC, conselho nacional das igrejas cristãs. Para cuidar da unidade das igrejas, precisamos cuidar primeiro da unidade na Igreja. Tal unidade não se faz sem o Papa, muito menos contra o sucessor de Pedro que foi chamado pelo Senhor para ser o eixo de unidade. Como é que uma igreja desunida vai cuidar da unidade das igrejas? Não é possível construir a unidade da Igreja em torno das teorias de teólogos como Küng e Boff e de exegetas que esvaziam o valor histórico dos evangelhos.

Está na hora de unir o povo católico sob a direção do Papa. Todos na mesma atitude do Papa que procura conhecer e seguir a palavra e a vontade do Senhor e deixar-se guiar por Ele. Na fé católica, a vontade de Deus se manifesta também nas orientações do Papa que foi colocado por Deus para dirigir a sua Igreja nestes tempos de confusão.

Nosso Papa segue o conselho de Paulo a Timóteo. Anuncia o Evangelho ao mundo de hoje, sem perguntar se agrada ou desagrada. É o que tento fazer também.

Jequié, 29 de março de 2010
Dom Cristiano Krapf

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