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quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Caráter Divino da Igreja


Pela vida da Igreja, e sua história, podemos ver com clareza a sua transcendência e divindade. Nenhuma instituição humana sobreviveu a tantos golpes, perseguições, martírios e massacres. A sua divindade provém, antes de tudo, d'Aquele que é a sua Cabeça, Jesus Cristo. Ele fez da Igreja o Seu próprio Corpo (cf. Cl 1,18).
Podemos dizer que, humanamente falando, a Igreja, como começou, tinha tudo para não dar certo. Em vez de escolher os "melhores" homens do Seu tempo: generais, filósofos gregos e romanos, entre outros, Jesus preferiu escolher doze homens simples da Galileia, naquela região desacreditada pelos próprios judeus. "Será que pode sair alguma coisa boa da Galileia?" (Jo 1,46).
Para deixar claro a todos os homens de todos os tempos e lugares, o Senhor preferiu "escolher os fracos para confundir os fortes" (I Cor 1, 27), e também para mostrar que "todo este poder extraordinário provém de Deus e não de nós" (II Cor 4,7); para que ninguém se vanglorie do serviço de Deus.
Aqueles doze homens simples, pescadores na maioria, "ganharam o mundo para Deus" na força do Espírito Santo, que o Senhor lhes deu no dia de Pentecostes. "Sereis minhas testemunhas... até os confins do mundo"(At 1, 8). Pedro e Paulo, depois de levarem a Boa Nova da salvação aos judeus e aos gentios da Ásia e Oriente Próximo, chegaram a Roma, a capital do mundo na época, e ali implantaram o Cristianismo. Pagaram com suas vidas sob a mão criminosa de Nero, no ano 64, juntamente com tantos outros mártires, que fizeram o escritor cristão Tertuliano (220) dizer que: "o sangue dos mártires era semente de novos cristãos". Estimam os historiadores da Igreja em cem mil mártires nos três primeiros séculos. Talvez isso tenha feito os Padres da Igreja dizerem que "christianus alter Christus" (o cristão é um outro Cristo).
Mas esses homens simples venceram o maior império que até hoje o mundo já conheceu. Aquele que conquistou todo o mundo civilizado da época, não conseguiu dominar a força da fé. As perseguições se sucederam com os Césares romanos, até que Constantino, cuja mãe se tornara cristã, Santa Helena, se converteu ao Cristianismo. No ano 313 ele assinava o edito de Milão, proibindo a perseguição aos cristãos, depois de três séculos de sangue.
Mesmo depois disso surgiu um outro imperador que quis acabar com o Cristianismo, Juliano, mas deu-se por vencido, e no leito de morte exclamou: "Tu venceste, ó galileu!". Por fim, por volta do ano 380, o imperador Teodósio tornava o Cristianismo a religião do Império. Roma fora vencida pela força da fé.
"Tu és Pedro; e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja [...] e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela" (Mt 16,18). Depois da perseguição romana, vieram as terríveis heresias. Já que o demônio não conseguiu destruir a Igreja, a partir de fora, tentava agora fazê-lo a partir de dentro. De alguns patriarcas das grandes sedes da Igreja, Constantinopla, Alexandria, etc., surgiam as falsas doutrinas, ameaçando dilacerar a Igreja por dentro. Mas, ao mesmo tempo, o Espírito Santo suscitava os grandes defensores da fé e da sã doutrina, os Padres da Igreja: Inácio de Antioquia (†107), Clemente de Roma (102), Ireneu de Lião (202), Cipriano de Cartago (258), Hilário de Poitiers (367), Cirilo de Jerusalém (386), Anastácio de Alexandria (373), Basílio (379), Gregório de Nazianzo (394), Gregório de Nissa (394), João Crisóstomo de Constantinopla (407), Ambrósio de Milão (397), Agostinho de Hipona (430), Jerônimo (420), Éfrem (373), Paulino de Nola (431), Cirilo de Alexandria (444), Leão Magno (461) e tantos outros que o Espírito Santo usou para derrotar as heresias nos diversos Concílios dos primeiros séculos.
Assim, foi vencido o perigo do arianismo de Ário, o macedonismo de Macedônio, o monofisismo de Êutiques, o monotelitismo de Sérgio, o novacionismo de Novaciano, o nestorianismo de Nestório, além de muitos erros de doutrina.
E assim, guiada pelo Espírito da Verdade (cf. Jo 16,13), que haveria de conduzi-la "a toda a verdade", infalível e invencível, a Igreja foi caminhando até nossos dias. Entre tantos outros combates, venceu a própria miséria dos seus filhos, muitas vezes, mergulhados nas trevas do pecado; venceu os bárbaros que queriam destruir Roma e a fé; venceu os iconoclastas que queriam suprimir as imagens sagradas; venceu os déspotas e reis que queriam tomar as suas rédeas sagradas; venceu o nazismo, venceu a força diabólica do comunismo que fez tantos mártires; enfim, venceu... venceu... e venceu...., não com a força das armas e do ódio, mas com a força invencível da fé e do amor.
Certa vez Stalin, ditador soviético, para desafiar a Igreja, perguntou quantas legiões de soldados tinha o Papa; é pena que não sobrevivesse até hoje para ver o que aconteceu com o comunismo. Jesus deixou a Sua Igreja na terra, como "Lumen Gentium", a luz do mundo, até que Ele volte. Todas as outras igrejas cristãs são derivadas da Igreja Católica; as ortodoxas romperam com ela em 1050; as protestantes em 1517; a anglicana, em 1534, entre outras. Só a Igreja Católica existia no século I, no século V, no século X, no século XX; só ela tem uma história ininterrupta de 20 séculos; ensinando, sem erro, o que Cristo entregou aos Apóstolos, sem omitir nada. A sucessão dos Papas é ininterrupta desde São Pedro. Isso é um fato inigualado por qualquer outra instituição humana em toda a história. Por isso, nenhuma outra igreja pode pretender ser a Igreja que Jesus fundou. Só ela é como Jesus quis: una, santa, católica e apostólica.
A Igreja, portanto, é mais do que uma simples instituição humana, é divina; por isso, ela é como afirmou São Paulo: "A coluna e o sustentáculo da verdade" (cf. I Tm 3, 15). Assim como aquela coluna de fogo guiou os israelitas no deserto, a Igreja nos guia até o céu. Os Padres da Igreja cunharam aquela frase que ficou marcada: "Ubi Petrus, ibi ecclesia; ubi ecclesia ibi Christus" (Onde está Pedro, está a Igreja; onde está a Igreja está Cristo).
Santo Ireneu (140-202) dizia que "onde está a Igreja aí está o Espírito Santo". E Santo Inácio de Antioquia (†107), já no primeiro século, ensinava: "Onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja Católica". No século IV, Santo Agostinho repetia que: "Onde está a Igreja, aí está o Espírito de Deus. Na medida que alguém ama a Igreja é que possui o Espírito Santo [...]. Fazei-vos Corpo de Cristo se quereis viver do Espírito de Cristo. Somente o Corpo de Cristo vive do seu Espírito".

A Santa Missa no dizer dos Santos



"Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece participar devotamente de uma só Missa, do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a Terra." (São Bernardo)
"O martírio não é nada em comparação com a Santa Missa. Pelo martírio, o homem oferece à Deus a sua vida; na Santa Missa, porém, Deus dá o seu Corpo e o seu Sangue em sacrifício para os homens." (Santo Tomás de Aquino)
"Uma só Missa a que houveres assistido em vida, será mais salutar que muitas a que os outros assistirão por ti depois da morte." (Santo Agostinho)
"Nenhuma língua humana pode exprimir os frutos de graças, que atrai o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa." (São Lourenço de Bríndise)
"A Santa Missa é uma embaixada à Santíssima Trindade; de inestimável valor; é o próprio Filho de Deus que a oferece." (São João Maria Vianney)
"Cada Santa Missa a que assistires, alcançar-te-á, no Céu, maior grau de glória." (São Jerônimo)
"A Santa Missa é a obra na qual Deus coloca sob os nossos olhos todo o amor que Ele nos tem; é de certo modo, a síntese de todos os benefícios que Ele nos faz." (São Boaventura)
"A Missa é o sol da Igreja." (São Francisco de Sales)
"Após a consagração, eu tenho visto esses milhares de Anjos formando a corte real de Jesus, em volta do tabernáculo, eu os tenho visto com meus próprios olhos." (São João Crisóstomo)
"Rogo, também, no Senhor, a todos os meus irmãos sacerdotes, os que são e os que serão e os que desejam ser sacerdotes do Altíssimo, que queiram sempre celebrar a Missa puros e puramente façam reverência ao verdadeiro sacrifício do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, com intenção santa e limpa, e não por coisa terrena alguma nem por temor ou amor a homem algum, como para agradar homens." (São Francisco de Assis)
"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?. - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz." (São Pio de Pietrelcina)
"Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos." (São Leonardo de Porto Maurício)
"Você diz que a Missa é longa, mas eu acrescento: porque seu amor é curto." (São Josemaría Escrivá

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sinal da Cruz, o Dístico do Cristão. (Inácio Almeida)


Outrora, em Besra na Idumea, ocupava o trono Episcopal São Julião. Este santo tinha uma alma cheia de zelo e piedade, não media esforços para trazer ao redil de Nosso Senhor Jesus Cristo as ovelhas tresmalhadas daquele rebanho.

Entretanto, alguns influentes habitantes desta cidade, descontentes com o progresso da fé, tomaram a resolução de envenenar este santo homem de Deus. Para isto, subornaram o próprio criado do Bispo. O infeliz aceitou e recebeu deles a bebida envenenada. Divinamente de tudo avisado, o Santo diz ao criado:

“-Vai, e da minha parte, convida para o meu jantar de hoje os principais habitantes da cidade”.

São Julião bem sabia que entre eles estariam os culpados. Todos ao convite acedem. Num dado momento, o santo Bispo sem acusar ninguém, lhes diz com doçura evangélica:

“-Visto quererem envenenar o humilde Julião, eis que diante de vós passo a beber o veneno.”

Fez então três vezes o Sinal da Cruz sobre a taça, dizendo: “-Eu te bebo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”

Em seguida, bebeu o veneno até a última gota e, ó milagre Divino, São Julião não sentiu o menor mal. Seus inimigos, diante de tal prodígio, caíram de joelhos a seus pés e lhe pediram perdão.

De onde vem a força deste simples gesto? Qual a sua origem? Em que momentos devemos fazê-lo?

Este Sinal Divino, sempre foi considerado como um mestre sábio e conciso, pois resume em si, de modo simples e didático, os dois principais mistérios de nossa fé que são a Unidade e Trindade de Deus e a Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Entretanto, nos dias de hoje, poucos são os que conhecem tudo o que contém, tudo o que ensina, tudo o que opera de sublime, de santo e de divino, e em conseqüência, de soberanamente proveitoso às almas, esta fórmula tão antiga como a Igreja. Os primeiros cristãos faziam o Sinal da Cruz a cada instante. Assim afirma São Basílio: “Para os que põem sua esperança em Jesus Cristo, fazer o Sinal da Cruz é a primeira e mais conhecida coisa que entre nós se pratica”.

Vejamos o exemplo de santa Tecla, ilustre por nascimento, mais ainda ilustre pela fé:

“Agarrada pelos algozes, é conduzida à fogueira, faz o Sinal da Cruz, entra nela à passo firme e fica tranqüila no meio das chamas”.

Imediatamente cai do céu uma torrente de água, e o fogo é apagado. E, a jovem heroína sai da fogueira sem ter queimado um só fio de cabelo. À maneira desta mártir que ao caminhar para o último suplício não deixava de se fortalecer pelo Sinal da Cruz, os verdadeiros Cristãos dos séculos passados recorriam sempre a este sinal consolador para suavizar suas dores e santificar sua morte.

Façamos um rápido passeio pelos séculos e paremos um instante em Aix la Chapelle para assistir à morte do grande imperador:

“… No dia seguinte, logo ao amanhecer, Carlos Magno estando bem consciente do que devia fazer, estendeu a mão direita e enquanto pôde, fez o Sinal da Cruz na fronte, no peito e no restante do corpo.”

Voemos à bela França do século XIII para darmos a palavra ao Príncipe de Joinville, biógrafo e amigo de São Luís IX:

“-À mesa, no conselho, no combate, em todas as suas ações, o rei começava sempre pelo Sinal da Cruz”.

Agora estamos diante de Bayard, o cavaleiro sem medo e sem mácula. O vemos ferido de morte, deitado à sombra de um grande carvalho fazendo o seu último gesto que foi um grande Sinal da Cruz feito com sua própria espada.

Em 1571, D. João D’Áustria, antes de dar o sinal de ataque na Batalha de Lepanto em que se decidia o futuro da cristandade, fez um grande e lento Sinal da Cruz repetido por todos os seus capitães e a vitória logo se fez esperar. Por estes e outros exemplos, vemos quão poderosa oração é o Sinal da Cruz. De quantas graças nos enriquece ele, e de quantos perigos preserva nossa frágil existência.

Quando devemos fazer o Sinal da Cruz

Mas… Quando devemos fazer o Sinal da Cruz? Tertuliano nos responde:

“A cada movimento e a cada passo, ao entrar e ao sair de casa, ao acender as luzes, estando para comer, ao deitar e ao levantar, qualquer que seja o ato que pratiquemos ou o lugar para onde vamos, sempre marcamos nossa fronte com o Sinal da Cruz.”

E de todas as práticas litúrgicas, o Sinal da Cruz é a principal, a mais comum, a mais familiar. É a alma das orações e das bênçãos. A Santa Igreja em suas cerimônias, em nenhuma delas deixa de empregá-lo. Começa, continua, e tudo termina por este sinal. Ao destinar para o seu próprio uso a água, o cálice, o altar e também aquilo que pertence aos seus filhos como as habitações, os campos, os rebanhos. De tudo toma posse pelo Sinal da Cruz.

A primeira coisa que faz sobre o corpo da criança ao sair do seio materno, e a última, quando já na ancianidade, o entrega às entranhas da Terra, é ainda este Divino Sinal. O que dizer da Santa Missa que é a ação por excelência? A Esposa de Cristo mais do que nunca o multiplica… O Sacerdote, no decurso da celebração, ao abrir os braços imitando o Divino crucificado, não é o seu corpo o próprio Sinal da Cruz vivo?Também diante das tentações, nós devemos fazer uso deste sinal Libertador. Ouçamos o que nos diz Orígenes:

É tal a força do Sinal da Cruz, que se o colocardes diante dos olhos e o guardares no coração, não haverá concupiscência, voluptuosidade ou furor que possa resistir-lhe. À vista dele desaparece todo o pecado.”

E ao findar o dia, se a fadiga e os fracassos da jornada levarem a vossa alma para o desânimo ou até o desespero. Ouçamos o que nos aconselha o sábio Prudêncio: “Quando ao convite do sono deitares em teu casto leito, fazeis o Sinal da Cruz sobre a fronte e sobre o coração, a cruz te preservará de todo o pecado. Santificada por este Sinal, a tua alma não vacilará “.

Mas para alcançarmos tão preciosos benefícios, é mister que façamos o Sinal da Cruz bem feito e com firmeza. A devoção, a confiança, o respeito e a regularidade devem acompanhar o movimento de nossa mão.

Meditando nas palavras pronunciadas, devemos pensar em Deus Padre, Deus Filho e no Espírito Santo. Além disto, tocando com a mão direita no centro da testa, devemos ter a intenção de consagrar ao Senhor a nossa inteligência, os nossos pensamentos; tocando o peito, consagrar-lhe o nosso coração, os nossos afetos e tocando os ombros, todas as nossas obras.

Porém não permitamos que o respeito humano nos impeça de manifestar pública e abertamente o Sinal da Cruz, pois se hoje uma grande parcela de nossa sociedade está afundada na impiedade e no materialismo, a necessidade que temos de fazer uso deste augusto Sinal é cada vez maior. Este estandarte divino que salvou o mundo é dotado de força para salvá-lo ainda. E, fazendo eco as palavras dos padres e doutores da igreja, concluímos:

Salve ó Sinal da Cruz! Estandarte do grande Rei, troféu imortal do Senhor, Sinal de vida, salvação e benção. És nossa poderosa guarda que em vista dos pobres é de graça e por causa dos fracos não exige esforço. És a tácita evocação de Jesus crucificado, monumento da vitória do Divino Redentor. Teus efeitos são largos como o universo, duradouros como os séculos. Tua eloqüência dissipa as trevas, aclara os caminhos. És a honra da fronte, a glória dos mártires, a esperança dos cristãos. És enfim, o fundamento da Igreja.


Escândalos na Igreja

O Pe. Roger J. Landry foi ordenado sacerdote em 1999 na diocese de Fall River pelo bispo Sean O’Malley, OFM Cap.. Depois de obter a licenciatura de biologia pela Universidade de Harvard, o Pe. Landry fez seus estudos para o sacerdócio em Maryland, Toronto e, durante vários anos em Roma. Depois de sua ordenação sacerdotal, o Bispo O’Malley o enviou de regresso para Roma para concluir seus estudos de graduação em teologia moral e bioética. Atualmente é vigário paroquial na Paróquia do Espírito Santo em Fall River e capelão na escola secundária Bishop Connoly.

Qual deve ser a nossa resposta aos terríveis escândalos na Igreja?

Muitas pessoas vieram-me falar deste assunto. Muitas outras também gostariam, mas evitaram, creio que por respeito e para não chamar a atenção para um fato desagradável. Mas para mim era óbvio que tinham isso presente. Por isso, hoje, quero enfrentar este assunto de frente. Vocês têm direito. Não podemos fingir como se não houvesse acontecido. E eu quero debater qual deve ser a nossa resposta como fiéis católicos a este terrível escândalo.

Primeiramente, é preciso entender o acontecimento à luz da nossa fé no Senhor. Antes de escolher seus primeiros discípulos, Jesus subiu a montanha para orar durante toda a noite. Nesse tempo tinha muitos seguidores. Falou com seu Pai na oração sobre quais escolheria para que fossem seus doze apóstolos, os doze que Ele formaria intimamente, os doze que enviaria a pregar a Boa Nova em Seu nome. Deu-lhes poder de expulsar os demônios. Deu-lhes poder para curar os doentes. Eles viram como Jesus operou muitos milagres. Eles mesmos fizeram, em Seu nome, numerosos milagres.

Mas, apesar de tudo, um deles foi um traidor. O traidor tinha seguido o Senhor, tivera os pés lavados pelo Senhor, O viu caminhar pelas águas, ressuscitar pessoas e perdoar os pecadores. O Evangelho diz que ele permitiu que satanás entrasse nele e logo vendeu o Senhor por 30 moedas, e entregou-o no Horto de Getsêmani, simulando um ato de amor, um beijo. “Judas!”, disse o Senhor no horto do Getsemani, “com um beijo entregas o Filho do Homem”. Jesus não o escolheu para que o traísse. Ele o escolheu para que fosse como os demais. Mas Judas foi sempre livre e usou sua liberdade para permitir que satanás entrasse nele e, por sua traição, terminou fazendo com que Jesus fosse crucificado e morto. Portanto, entre os primeiros doze que o próprio Jesus escolheu, um deles foi um terrível traidor. ÀS VEZES, OS ESCOLHIDOS DE DEUS TRAEM. Este é um fato que devemos assumir. É um fato que a Igreja primitiva assumiu. Se o escândalo de Judas tivesse sido a única coisa com que os membros da Igreja primitiva tivessem se preocupado, a Igreja teria acabado antes de começar. Em vez disso, a Igreja reconheceu que não se deve julgar algo (religioso) a partir daqueles que não o praticam, mas olhando para os que praticam.

Em vez de ficarem paralisados em torno daquele que traiu Jesus, concentraram-se nos outros onze. Graças ao trabalho, pregação, milagres e amor por Cristo desses homens, aqui estamos hoje. É graças aos onze - todos os quais, exceto São João, foram martirizados por Cristo e pelo Evangelho, pelo qual estiveram dispostos a dar suas vidas para proclamá-lo - que nós chegamos a escutar a palavra salvífica de Deus e recebemos os sacramentos da vida eterna.

Somos hoje confrontados pela mesma realidade. Podemos concentrarmo-nos naqueles que traíram o Senhor, naqueles que abusaram, em vez de amar a quem estavam chamados a servir. Ou podemos como a Igreja nascente, concentrarmo-nos nos demais, naqueles que permaneceram fiéis, nesses sacerdotes que continuam oferecendo suas vidas para servir a Cristo e para servir a todos por amor. Os meios de comunicação quase nunca prestam atenção aos “onze” bons, aqueles a quem Jesus escolheu e que permaneceram fiéis, que viveram uma vida de santidade silenciosa. Mas nós, a Igreja, devemos ver o terrível escândalo que estamos testemunhando a partir de uma perspectiva autêntica e completa.

O escândalo, infelizmente, não é algo novo para a Igreja. Houve muitas épocas em sua história em que esteve pior do que agora. A história da Igreja é como a definição matemática do cosseno, ou seja, uma curva oscilatória com movimento pendular, com altos e baixos ao longo dos séculos. Em cada uma dessas épocas em que a Igreja chegou ao ponto mais baixo, Deus suscitou grandes santos que levaram a Igreja de volta a sua verdadeira missão. Como se naqueles momentos de escuridão, a Luz de Cristo brilhasse mais intensamente. Eu gostaria de destacar um par de santos que Deus suscitou nesses tempos tão difíceis, porque sua sabedoria pode realmente nos guiar durante este tempo difícil.

São Francisco de Sales foi um santo que Deus fez surgir justamente depois da reforma protestante. A reforma protestante não brotou fundamentalmente por aspectos teológicos ou por problemas de fé - ainda que as diferenças teológicas apareceram depois - mas, por questões morais.

Houve um sacerdote agostiniano, Martinho Lutero, que foi a Roma durante o papado mais notório da história, o do Papa Alexandre VI. Este Papa jamais ensinou nada que fosse contra a fé - o Espírito Santo não permitiu - mas, foi simplesmente, um homem mau. Teve nove filhos de seis diferentes concubinas. Promoveu ações contra aqueles que considerava seus inimigos. Martinho Lutero visitou Roma durante seu papado e se perguntava como Deus podia permitir que um homem tão mau fosse a cabeça visível da Sua Igreja . Regressou a Alemanha e observou todo tipo de problemas morais. Os padres tinham, publicamente, casos com mulheres. Alguns tratavam de obter dinheiro vendendo bens espirituais. Grassava uma imoralidade terrível entre os leigos. Ele se escandalizou com esses abusos desenfreados, como teria ocorrido com qualquer que ame a Deus, reagiu precipitadamente e com fúria, e fundou a sua própria igreja. Naqueles mesmos tempos, Deus suscitou muitos santos que combateram essa situação equivocada e trouxeram de volta as pessoas para a Igreja fundada por Cristo. São Francisco de Sales foi um deles. Colocando em risco a própria vida, entrou na Suíça, onde os calvinistas dominavam e eram muito populares, pregando o Evangelho com verdade e amor. Foi espancado várias vezes nas estradas e abandonado como morto. Um dia perguntaram-lhe qual era a sua posição em relação ao escândalo que causavam tantos dos seus irmãos sacerdotes. O que disse é tão importante para nós como o foi para os que o escutaram. Ele não ficou enrolando. “Aqueles que cometem esse tipo de escândalos são culpáveis do equivalente espiritual a um assassinato, destruindo com seu mau exemplo a fé das outras pessoas em Deus”. Mas, ao mesmo tempo advertiu aos seus ouvintes: “Mas eu estou aqui hoje entre vocês para evitar-lhes um mal ainda pior. Enquanto que aqueles que causam o escândalo são culpados de assassinato espiritual, os que acolhem o escândalo - aqueles que permitem que os escândalos destruam sua fé - são culpados de suicídio espiritual. São culpáveis de cortar pela raiz sua vida com Cristo, abandonando a fonte da vida nos Sacramentos, especialmente a Eucaristia.” São Francisco de Sales andou entre os suíços e os habitantes da Savóia tratando de prevenir que cometessem um suicídio espiritual por causa dos escândalos. E eu estou aqui hoje para pregar o mesmo para vocês.

Qual deve ser a nossa reação? Outro grande santo que viveu antes, em tempos particularmente difíceis, também pode nos ajudar. O grande São Francisco de Assis viveu ao redor do ano 1200, que foi uma época de imoralidade terrível na Itália central. Os padres davam exemplos espantosos. A imoralidade dos leigos era ainda pior. O próprio São Francisco, sendo jovem, tinha escandalizado outras pessoas com sua maneira despreocupada de viver. Converteu-se, fundou a ordem franciscana e ajudou a Deus a reconstruir a Sua Igreja e chegou a ser um dos maiores santos de todos os tempos.

Certa vez, um dos irmãos franciscanos lhe fez uma pergunta. Esse frei era muito suscetível aos escândalos. “Irmão Francisco, que farias se soubesses que o sacerdote que está celebrando a Missa tem três concubinas ao seu lado?” Francisco, sem duvidar um instante, respondeu bem devagar: “Quando chegar a hora da Santa Comunhão, iria receber o Sagrado Corpo do meu Senhor das mãos ungidas do sacerdote.”

Onde queria chegar Francisco? Queria deixar clara uma verdade formidável da fé e um dom extraordinário do Senhor. Não importa quão pecador seja um padre, sempre e quando tenha a a intenção de fazer o que faz a Igreja - na Missa, por exemplo, converter o pão e vinho na carne e sangue de Cristo, ou na confissão, não importa quão pecador seja, perdoar os pecados do penitente - o próprio Cristo atua nos sacramentos através desse ministro.

Seja o Papa João Paulo II que celebre a Missa, ou um sacerdote condenado a morte por um crime, em ambos os casos é o próprio Cristo quem atua e nos dá Seu Corpo e Seu Sangue. Dessa forma, o que Francisco estava dizendo, ao responder a pergunta do seu irmão religioso, que receberia o Sagrado Corpo do Seu Senhor das mãos ungidas do sacerdote, é que não ia permitir que a maldade ou imoralidade do padre o levasse a cometer suicídio espiritual.

Cristo pode continuar atuando, e de fato atua, inclusive através do mais pecador dos sacerdotes. E graças a Deus que assim o faz! Se sempre tivéssemos que depender da santidade pessoal do sacerdote, teríamos um grave problema. Os sacerdotes são escolhidos por Deus entre os homens e são tentados como qualquer ser humano e caem em pecado como qualquer ser humano. Mas Deus já sabia disso desde o princípio. Onze dos primeiros doze apóstolos se dispersaram quando Cristo foi preso, mas regressaram; um dos doze traiu o Senhor e infelizmente nunca regressou. Deus fez os sacramentos “à prova de sacerdote”, ou seja, independente da sua santidade pessoal. Não importa quão santos ou maus sejam, sempre que tenham a intenção de fazer o que a Igreja faz, o próprio Cristo atua, tal como atuou através de Judas quando Judas expulsou os demônios e curou os doentes.

Por isso, pergunto-vos novamente: Qual deve ser a resposta da Igreja a esses atos? Falaram muito a respeito na mídia. A Igreja precisa trabalhar melhor, assegurando que ninguém com inclinação para a pedofilia seja ordenado? Com certeza. Mas isto não seria suficiente. A Igreja deve atuar melhor ao tratar desses casos quando sejam notificados? A Igreja mudou a sua maneira de abordar esses casos e hoje a situação é muito melhor do que era nos anos oitenta, mas sempre pode ser aperfeiçoada. Mas ainda isso não seria suficiente. Temos que fazer mais para apoiar as vítimas desses abusos? Sim, temos que fazê-lo, por justiça e por amor! Mas tampouco isso é o adequado… A única resposta adequada a este terrível escândalo, a única resposta autenticamente católica a este escândalo - como São Francisco de Assis reconheceu em 1200, como São Francisco de Sales reconheceu em 1600 e incontáveis outros santos reconheceram em cada século - é a SANTIDADE! Toda crise que enfrenta a Igreja, toda crise que o mundo enfrenta, é uma crise de santidade” A santidade é crucial, porque é o rosto autêntico da Igreja.

Sempre há pessoas - um sacerdote encontra-se com elas regularmente e vocês devem conhecer várias delas também - que usam desculpas para justificar porque não praticam sua fé, porque lentamente estão cometendo suicídio espiritual. Pode ser porque uma freira se portou mal com eles quando tinham 9 anos. Porque não entendem os ensinamentos da Igreja sobre algum tema particular. Indubitavelmente haverá muitas pessoas atualmente - e vocês se encontram com elas - que dirão: “Para que praticar a fé, para que ir a Igreja, se a Igreja não pode ser verdadeira, quando os assim chamados escolhidos, são capazes de fazer esse tipo de coisa que estamos lendo?” Este escândalo é como um cabide enorme onde alguns procuram pendurar sua justificativa para não praticar a fé. Por isso é que a santidade é tão importante.

Essas pessoas necessitam encontrar em todos nós uma razão para ter fé, uma razão para ter esperança, uma razão para responder com amor ao amor do Senhor. As bem-aventuranças que lemos no Evangelho são uma receita para a santidade. Todos precisamos vivê-las melhor. Os padres precisam ser mais santos? Certamente. Precisam os frades e freiras serem mais santos e darem um melhor testemunho de Deus e do Céu? Sem a menor dúvida. Mas todas as pessoas na Igreja precisam fazer o mesmo, inclusive os leigos! Todos temos vocação para ser santos e esta crise é um chamado para que despertemos.

Estes são tempos duros para o sacerdote. São tempos duros para o católico. Mas também são tempos magníficos para ser um sacerdote e para ser um católico. Jesus disso nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados serão quando os injuriarem, vos perseguirem e disserem falsamente todo tipo de maldades contra vocês por minha causa. Alegrem-se e regozijem-se porque será grande a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram aos profetas antes de vocês.” Eu experimentei essa bem-aventurança, da mesma forma que outros sacerdotes que conheço. No começo desta semana, quando terminei de fazer ginástica numa academia local, eu saía do vestiário com meu clergyman e uma mãe, mal me viu, afastou rapidamente seus filhos do caminho e os protegeu enquanto eu passava. Ficou me olhando quando passei e, quando já havia me afastado o suficiente, respirou aliviada e soltou os seus filhos. Como se eu fosse atacá-los no meio da tarde em plena academia! Mas enquanto todos nós talvez tenhamos que padecer tais insultos e falsidades por causa de Cristo, de fato, devemos regozijar-nos. É um tempo fantástico para ser cristão atualmente, porque é um tempo em que Deus realmente necessita de nós para mostrar Seu verdadeiro rosto. Em tempos passados nos EUA, a Igreja era respeitada. Os sacerdotes eram respeitados. A Igreja tinha reputação de santidade e bondade. Mas hoje já não é assim.

Um dos mais pregadores na história norte-americana, o bispo Fulton J. Sheen costumava dizer que preferia viver nos tempos em que a Igreja sofre em vez de florescer tranquilamente, nos tempos em que a Igreja tem que lutar, quando a Igreja tem que ir contra a cultura. São épocas para que os verdadeiros homens e mulheres dêem um passo à frente. “Até os cadáveres podem ir a favor da corrente”, costumava dizer o bispo, indicando que muitas pessoas dão testemunho quando a Igreja é respeitada, “mas são necessários verdadeiros homens e mulheres para nadar contra a corrente.”

Como isso é verdadeiro! É preciso ser um verdadeiro homem e uma verdadeira mulher para manter-se flutuando e nadar contra a corrente que se move em oposição à Igreja. É preciso ser um verdadeiro homem e uma verdadeira mulher para reconhecer que quando se nada contra a corrente das críticas, estamos mais seguros que quando apenas permanecemos grudados por inércia na rocha sobre a qual Cristo fundou sua Igreja. Estamos num desses tempos difíceis. É um dos grandes momentos para ser cristão.

Algumas pessoas prevêem que nesta região a Igreja passará por tempos difíceis e talvez seja assim, o mais a Igreja sobreviverá, por que o Senhor assegurou a sua sobrevivência. Uma das maiores réplicas na história aconteceu há justamente 200 anos. O imperador Napoleão engolia os países da Europa com seus exércitos, com a intenção final de dominar totalmente o mundo. Naquela ocasião disse uma vez ao cardeal Consalvi: “Vou destruir sua Igreja”. O cardeal respondeu: “Não, não poderá”. Napoleão, com seus 1,50 m de altura, disse outra vez: “Eu destruirei vossa Igreja.” O cardeal disse confiante: “Não, não poderá. Nem nós fomos capazes de fazê-lo!”.

Se os papas ruins, os sacerdotes infiéis e os milhares de pecadores na Igreja não tiveram êxito em destruí-la a partir de dentro - como dizia implicitamente ao general - como crê que poderá fazê-lo? O cardeal referia-se a uma verdade cruel. Mas Cristo nunca permitirá que sua Igreja fracasse. Ele prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam sobre a sua Igreja, que a barca de Pedro, a Igreja que navega no tempo rumo ao seu porto eterno no céu, nunca naufragará, não porque aqueles que vão nela não cometam todos os pecados possíveis para afundá-la, mas porque Cristo, que também está na barca, nunca permitirá que isso aconteça. Cristo continua na barca e ele nunca a abandonará.

A magnitude de este escândalo poderia ser tal que de agora em diante vocês tenham dificuldade em confiar nos sacerdotes tanto como o faziam no passado. Isto pode acontecer e talvez não seja tão ruim. Mas nunca percam a confiança no Senhor! É a sua Igreja! Mesmo quando alguns dos seus eleitos O tenham traído, ele chamará outros que serão fiéis, que servirão vocês com o amor com que vocês merecem ser servidos, tal como ocorreu depois da morte de Judas, quando os onze apóstolos ficaram de acordo e permitiram que o Senhor escolhesse alguém para tomar o lugar de Judas, e escolheram o homem que terminou sendo São Matias, que proclamou fielmente o Evangelho até ser martirizado.

Este é um tempo em que todos nós precisamos esforçarmo-nos ainda mais em ser santos! Estamos chamados a ser santos, e como necessitamos ver esse rosto bonito e radiante da Igreja! Vocês são parte da solução, uma parte crucial da solução. Quando caminhem para receberem o Sagrado Corpo do Senhor das mãos ungidas deste sacerdote, peçam a Ele que os encha de um real desejo de santidade, um real desejo de mostrar Seu autêntico rosto.

Uma das razões pelas quais estou aqui como sacerdote é porque sendo jovem, impressionaram-me negativamente alguns sacerdotes que conheci. Via-os celebrar a Missa e quase sem reverência deixavam cair o Corpo do Senhor na patena, como se tivessem nas mãos algo de pouco valor em vez do Criador e Salvador de todos, em vez do meu Criador e Salvados. Lembro ter dito ao Senhor, reiterando meu desejo de ser sacerdote: “Senhor, deixa-me ser sacerdote para que possa tratar-Te como Tu o mereces!”. Isso me deu um desejo ardente de servir o Senhor. Talvez este escândalo permita que vocês façam o mesmo. Este escândalo pode ser algo que os conduza pelo caminho do suicídio espiritual ou algo que os inspire a dizer, finalmente, “Quero ser santo, para que eu e a Igreja possamos glorificar Teu nome como Tu o mereces, para que outros possam encontrar-Te no amor e na salvação que eu Te encontrei”. Jesus está conosco, como prometeu, até o final dos tempos. Ele continua na barca.

Tal como a partir da traição de Judas, Ele alcançou a maior vitória na história do mundo, a nossa salvação por meio da sua Paixão, morte e Ressurreição, também através deste episódio Ele pode trazer, e quer trazer, um novo renascimento da santidade, para lançar uns novos Atos dos Apóstolos do século XXI, com cada um de nós - e isso inclui você - assumindo um papel de protagonista. Agora é o tempo para que os verdadeiros homens e mulheres da Igreja se ponham em pé. Agora é o tempo dos santos. Como você irá responder?

Fonte: Padre Francisco Faus

Reflexões Litúrgicas



[...] As normas litúrgicas e o missal refletem, apenas, o entendimento acerca do sentido sobrenatural da Santa Missa. Quando nós compreendemos a profundidade da celebração eucarística, todas as regras emitidas pela Igreja são entendidas como conseqüência. O centro da Liturgia é o Cristo, um Deus feito homem e que pelos homens morreu para salvá-los [...].
[...] Quando os adornos e a beleza, que só servem como caminho e não como fim, se tornam centro da celebração, a Liturgia se distancia drasticamente da sua sobrenaturalidade. A sobriedade, sacralidade e solenidade da Missa traduzem, apenas, o sentido místico da celebração. Por si só a ornamentação é vazia, inócua e ineficiente, mas quando é usada como via pode ser um caminho pedagógico muito saudável, explanando os mistérios e expondo a riqueza do cristianismo.
[...] Os povos pagãos se sentiam atraídos por uma força silenciosa que os vivificava. Quando Clóvis, Rei dos Francos, foi se batizar na Catedral de Reims, na França, perguntou a São Remígio, depois de contemplar a riqueza e beleza daquele templo, que parecia resplandecer uma fagulha do esplendor da morada celeste: “Padre, isso já é o céu?” Outro fato histórico interessante é o ocorrido quando da primeira Missa celebrada no Brasil, por Frei Henrique de Coimbra, em Porto Seguro. Os curiosos indígenas se aproximavam do altar e contemplavam aqueles estranhos homens se humilhando em frente a uma Cruz. Quando um segundo grupo de índios se aproximou do local o seu líder questionou o que era aquilo, o chefe do primeiro bando, prontamente, apontou para o céu e apontou para a terra, expondo com perfeição o caráter vertical da Missa; a ligação do homem com Deus.[...] O que seria a Missa se não estivesse fundamentada sobre Cristo? O centro da celebração é Nosso Senhor, o Deus entregue em Sacrifício. São Leonardo de Porto-Maurício, um dos maiores pregadores da cristandade, afirmava que a todas as Missas celebradas na Igreja tinham a mesma validade, mas diferiam nos efeitos causados na assembléia, e por quê? Quantas vezes vamos a uma celebração e mesmo como todo o esforço não conseguimos nos ligar ao mistério do altar? Quantas vezes saímos até mesmo cansados da Liturgia? Tais efeitos são conseqüências de uma celebração carregada, normativa, Missas meramente burocratizadas e que se perderam entre a desobediência ao missal e o desrespeito ao espírito litúrgico católico.Qual fiel não agiria com toda reverência e piedade sabendo que no altar se faz presente Deus com Seu corpo, sangue, alma e divindade? Qual de nós não se prostraria no chão ao contemplar o Senhor? Quem não se desmancharia em lágrimas se fosse visitado por Cristo em pessoa? Mas a Eucaristia é isso em concreto! [...]
Não poucas vezes a Missa vira um espetáculo, um teatro vazio. Isso ocorre por causa do distanciamento do caráter central da celebração; Cristo e Seu Mistério. O Apóstolo da Santa Missa, São Leonardo, já dizia que o meio mais adequado para assistir a Liturgia “consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos”[...].
A celebração não é uma conexão horizontal, ou seja, homem e homem, mas uma conexão vertical, homem e Deus. Ocorre que, infelizmente, certas Missas ficam impregnadas por um certo espírito normativo. Não podemos nos acomodar com o hábito; não é porque vamos todo o Domingo – no mínimo – ao encontro de Cristo na Liturgia que perdemos a constante renovação e surpresa na adoração da Eucaristia! De forma alguma! Toda a Santa Missa, para nós, deve ser motivo de perplexidade, de alegria, de adoração, uma constante e eterna sensibilidade.
[...] A beleza da Missa é resultado do entendimento do mistério do altar, do Sacrifício de Jesus, Sua doação. A pobreza espiritual se une ao caminho da beleza.
Como não se chocar com o exemplo de Santa Isabel, Rainha da Hungria, que ao entrar na Igreja triunfava como majestade, adornada com a coroa, jóias, anéis e colares, mas que quando do início da celebração retirava todas as pedrarias, ouro e prata para se tornar pobre e deixar que apenas o brilho de Cristo reinasse dentro do templo. A santa vivia na corte, mas não era da corte, assim como nós vivemos no mundo, mas não somos do mundo [...].
A Santa Missa nos pede, então, um aparente paradoxo; a pobreza e simplicidade e a solenidade e beleza. E por que apenas aparente paradoxo? Simplesmente porque o nosso esvaziamento é apenas momentâneo, já que na Liturgia ficamos cheios quando nos aproximamos do Senhor em todo o Seu esplendor eucarístico. Assim, quando melhor nos diminuímos melhor engrandecemos Cristo e Seu sacrifício. Uma celebração bela, adornada e bem cuidada não necessariamente é uma celebração embebida em mística e sobrenaturalidade [...]. Por outro lado, quando compreendemos o esplendor da via pulchritudinis, ou seja, o caminho da beleza – e como o próprio nome diz é caminho e não o fim – mais perfeito é o nosso entendimento do mistério do altar, assim, o adorno, o detalhe, a ornamentação, são conseqüências imediatas da nossa kénosis.


Obs: Grifos nosso
Fonte: RAVAZZANO, Pedro. Apostolado Veritatis Splendor: A POBREZA E BELEZA NA SANTA MISSA. 2009

terça-feira, 20 de abril de 2010

"Meios honestos denunciariam todos os casos de pedofilia"

O jornalista irlandês David Quinn publicou um artigo no qual critica aos meios pela campanha difamatória contra o Papa e a Igreja. Apoiando-se na perspectiva de um judeu e um ateu, o colunista demonstra que os grandes meios de comunicação como o New York Times ou a Associated Press já não estão interessados em combater a pedofilia em todos os âmbitos nem em informar a verdade, mas simplesmente na agressão gratuita anti-católica.
Em um artigo publicado na sexta-feira 16 de abril no jornal irlandês Independent.ie, Quinn cita o ex-prefeito judeu de Nova Iorque, Ed Koch, quem qualifica estas agressões como "manifestações de anti-catolicismo" escritos "com malícia" em um artigo que escreveu no Jerusalem Post; e o ateu Brendan O'Neill, quem na revista Spiked pede a outros ateus não unir-se aos constante "ataques à Igreja".
Para O’Neill, a reação atual aos escândalos "é informada mais pelo preconceito (…)que por qualquer outra coisa parecida com o secularismo com princípios; é algo que ameaça ferir indivíduos, famílias, a sociedade e a liberdade".
"Koch e O’Neil estão no certo", sentencia Quinn.
Para o jornalista irlandês este massivo ataque à Igreja se comprova no quase absoluto silêncio dos meios sobre as "intermináveis histórias de abusos contra crianças nas escolas públicas dos Estados Unidos agora mesmo, hoje".
Quinn cita logo um estudo da professora Verniz Shakeshaft da Virginia University realizado para o Departamento de Educação dos Estados Unidos revelou que houve 290 mil casos nas escolas dos Estados Unidos entre 1991 e 2001. De um grupo de 225 destes professores que admitiram ter abusado de algum aluno, somente um por cento perdeu sua licença para ensinar.
"Se a Igreja Católica for culpada de uma ‘conspiração criminal’ contra as crianças, então também o são as escolas dos Estados Unidos", assegura David Quinn.
"Este estudo recebeu apenas uma fração da cobertura dedicada aos abusos sexuais de clérigos na qual apesar de que este seja um problema sério nas escolas americanas e apesar de que houve grandes coberturas destes escândalos", acrescenta.
Se os meios "estivessem verdadeiramente preocupados com o abuso de crianças em si mesmo, isto teria sido uma notícia enorme. Não foi e isso é uma dura crítica aos meios e suas tendências particulares. Ou talvez seja uma dura crítica ao público e as nossas tendências?", questiona Quinn.
O jornalista assegura também que "se os meios fossem mais honestos também diriam que os casos de abuso sexual de sacerdotes chegaram a um pico entre 1970 e 1980 e agora são apenas uma fração do que foram".
Um relatório do escritório independente dos Bispos dos Estados Unidos deu a conhecer há umas semanas atrás que das 398 acusações que receberam no ano passado, só seis eram contemporâneas. "O resto pertencia a casos de sacerdotes já acusados antes de abuso sexual que pertenciam a décadas passadas. Isto, tampouco recebeu quase nada de cobertura", explica Quinn.
"Agora pergunte-se por que não se sabe nada disto e tente convencer-se se é que Ed Kock não tem razão ao afirmar que muitos dos atuais ataques à Igreja são ‘manifestações de anti-catolicismo’", conclui Quinn.
Durante 6 anos Quinn foi editor do semanário The Irish Catholic. Ele escreveu diversas colunas de opinião para o The Sunday Times, The Sunday Business Post e o Irish Daily Mail. Também contribuiu em publicações como First Things, ou Human Life Review e a edição européia do Wall Street Journal.

domingo, 18 de abril de 2010

Discurso do Papa Bento XVI, aos bispos brasileiros do Regional Norte II da CNBB


Uma menor atenção que por vezes é prestada ao culto do Santíssimo Sacramento é indício e causa de escurecimento do sentido cristão do mistério, como sucede quando na Santa Missa já não aparece como proeminente e operante Jesus, mas uma comunidade atarefada com muitas coisas em vez de estar recolhida e deixar-se atrair para o Único necessário: o seu Senhor. Ora, a atitude primária e essencial do fiel cristão que participa na celebração litúrgica não é fazer, mas escutar, abrir-se, receber… É óbvio que, neste caso, receber não significa ficar passivo ou desinteressar-se do que lá acontece, mas cooperar – porque tornados capazes de o fazer pela graça de Deus – segundo «a autêntica natureza da verdadeira Igreja, que é simultaneamente humana e divina, visível e dotada de elementos invisíveis, empenhada na ação e dada à contemplação, presente no mundo e, todavia, peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos» (Const. Sacrosanctum Concilium, 2). Se na liturgia não emergisse a figura de Cristo, que está no seu princípio e está realmente presente para a tornar válida, já não teríamos a liturgia cristã, toda dependente do Senhor e toda suspensa da sua presença criadora.

Como estão distantes de tudo isto quantos, em nome da inculturação, decaem no sincretismo introduzindo ritos tomados de outras religiões ou particularismos culturais na celebração da Santa Missa (cf. Redemptionis Sacramentum, 79)! O mistério eucarístico é um «dom demasiado grande – escrevia o meu venerável predecessor o Papa João Paulo II – para suportar ambigüidades e reduções», particularmente quando, «despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa» (Enc. Ecclesia de Eucharistia, 10). Subjacente a várias das motivações aduzidas, está uma mentalidade incapaz de aceitar a possibilidade duma real intervenção divina neste mundo em socorro do homem. Este, porém, «descobre-se incapaz de repelir por si mesmo as arremetidas do inimigo: cada um sente-se como que preso com cadeias» (Const. Gaudium et spes, 13). A confissão duma intervenção redentora de Deus para mudar esta situação de alienação e de pecado é vista por quantos partilham a visão deísta como integralista, e o mesmo juízo é feito a propósito de um sinal sacramental que torna presente o sacrifício redentor. Mais aceitável, a seus olhos, seria a celebração de um sinal que corresponda a um vago sentimento de comunidade.

Mas o culto não pode nascer da nossa fantasia; seria um grito na escuridão ou uma simples auto-afirmação. A verdadeira liturgia supõe que Deus responda e nos mostre como podemos adorá-Lo. « A Igreja pode celebrar e adorar o mistério de Cristo presente na Eucaristia, precisamente porque o próprio Cristo Se deu primeiro a ela no sacrifício da Cruz» (Exort. ap. Sacramentum caritatis, 14). A Igreja vive desta presença e tem como razão de ser e existir ampliar esta presença ao mundo inteiro

sexta-feira, 16 de abril de 2010

83 anos de vida doada á Cristo



AD MULTOS ANNOS, SANCTE PATER!

PAPA BENTO XVI

Bispo de Roma
Sucessor do Apóstolo Pedro
Sumo Pontífice da Igreja Universal
Patriarca de Ocidente
Primaz da Itália
Arcebispo e Metropolitano da Província de Roma
Soberano do Estado da Cidade do Vaticano
Servo dos Servos de Deus

Ó Deus, que escolhestes o vosso servo Bento XVI sucessor do apóstolo Pedro como pastor de todo o rebanho, atendei as súplicas do vosso povo. Concedei ao que faz as vezes do Cristo na terra continuar na fé seus irmãos para que toda a Igreja se mantenha em comunhão com ele no vínculo da unidade, do amor e da paz até que, em vós, pastor das almas, cheguemos todos à verdade e à vida eterna.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

Arquidiocese de Lima anuncia cruzada de oração por Bento XVI


A arquidiocese de Lima convocou todas as suas paróquias, igrejas, templos, monastérios e casas religiosas para uma "Cruzada de Oração" pelo Papa Bento XVI. A iniciativa tem início na capital peruana hoje e prossegue até a segunda-feira, 19.
A "Cruzada de Oração" tem como motivação as celebrações do aniversário do Santo Padre (amanhã, dia 16 de abril), e o 5º aniversário de seu pontificado, no próximo dia 19.
A atividade também leva em consideração os contínuos ataques que vem recebendo o Papa, segundo manifesta a assessoria de imprensa da arquidiocese de Lima em comunicado: "A arquidiocese de Lima quer oferecer ao Papa sua adesão à oração, como manfiestou o cardeal Juan Luis Cipriani, quando nos ofícios pela Semana Santo exortou os fiéis a orarem pela figura do Santo Padre, especialmente nestes tempos em que permanentemente o criticam, relativizam a verdade e o atacam injustamente".
Fonte: Gaudium Press

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Papa ensina que liturgia é resposta de Deus ao homem

O Papa recebeu em audiência os bispos do Regional Norte 2 da CNBB - que abrange os estados do Pará e Amapá - na manhã desta quinta-feira, 15.Bento XVI explicou que o culto não pode nascer da fantasia humana, pois se tornaria uma espécie de grito na escuridão. "A verdadeira liturgia supõe que Deus responda e nos mostre como podemos adorá-Lo. [...] A Igreja vive dessa presença e tem como razão de ser e existir ampliar esta presença ao mundo inteiro", disse.
O Papa disse que "se, na liturgia, não emergisse a figura de Cristo, que está no seu princípio e está realmente presente para a tornar válida, já não teríamos a liturgia cristã, toda dependente do Senhor e toda sustentada por sua presença criadora".Nesse sentido, o Papa defendeu que estão muito distantes dessa compreensão todos os que, "em nome da inculturação, decaem no sincretismo, introduzindo ritos tomados de outras religiões ou particularismos culturais na celebração da Santa Missa!". Da mesma forma, disse que tais atitudes revelam uma "mentalidade incapaz de aceitar a possibilidade de uma real intervenção divina neste mundo em socorro do homem".

Eucaristia

Ao afirmar que a Eucaristia é o "coração da vida cristã, fonte e ápice da missão evangelizadora da Igreja", Bento XVI indicou que somente assim é possível entender a preocupação do Sucessor de Pedro "por tudo o que possa ofuscar o ponto mais original da fé católica: hoje, Jesus Cristo continua vivo e realmente presente na hóstia e no cálice consagrados".O Santo Padre alertou para o perigo de que seja dada uma menor atenção ao culto do Santíssimo Sacramento, "indício e causa de escurecimento do sentido cristão do mistério, como sucede quando, na Santa Missa, já não aparece como proeminente e operante Jesus, mas uma comunidade atarefada com muitas coisas em vez de estar recolhida e deixar-se atrair para o Único necessário: o seu Senhor".A atitude primária e essencial do fiel na celebração litúrgica não é o fazer, mas o escutar, receber, explicou o Pontífice, que agradeceu os relatórios diocesanos enviados pelos bispos: "Nada poderia alegrar-me mais do que saber-vos em Cristo e com Cristo, como testemunham os relatórios", afirmou.Por fim, o Pontífice lembrou a proximidade do XVi CEN, desejando que Jesus Eucaristia "seja verdadeiramente o coração do Brasil, donde venha a força para todos homens e mulheres brasileiros se reconhecerem e ajudarem como irmãos, como membros do Cristo total. Quem quiser viver, tem onde viver, tem de que viver. Aproxime-se, creia, entre a fazer parte do Corpo de Cristo e será vivificado!"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI


Do instigante diálogo entre Peter Seewald e o então Cardeal Joseph Ratzinger, o atual Pontífice Bento XVI, resultou o livro "O Sal da Terra – o Cristianismo e a Igreja Católica no século XXI". Na referida obra, encontramos algumas respostas do Santo Padre para alguns questionamentos do jornalista, o qual abandonara a fé católica havia muito tempo. Certa vez, Seewald lhe perguntou quantos caminhos existiam para Deus, e este afirmou: "Tantos quantos há pessoas".
Abaixo, reproduzimos algumas das perguntas extraídas do livro em questão, em comemoração ao aniversário de Santo Padre, o Papa Bento XVI.

O que o senhor considera mais fascinante em ser católico?

Fascinante é esta história viva, na qual entramos, o que, já em termos humanos, é algo de especial. Fascinante é que uma instituição com tantas fraquezas e falhas humanas se mantenha na sua continuidade e que eu, ao viver essa grande comunidade, possa saber que estou em comunhão com todos os vivos e mortos; e que nela também posso encontrar uma certeza sobre o essencial da minha vida, ou seja, o Deus que está voltando para mim; uma certeza sobre a qual posso fundar minha vida, com a qual posso viver e morrer.
A fé cristã não é uma teoria, mas sim um acontecimento. E isso é muito importante. O essencial, também no próprio Cristo, não é que Ele tenha anunciado determinadas ideias – o que Ele também fez obviamente - , mas eu me torno cristão, porque acredito nesse acontecimento. Deus entrou no mundo e agiu; é portanto, uma ação, uma realidade, não apenas um conjunto de ideias.
Todas as grandes culturas que conhecemos tiveram ou têm a religião como fator comum mais importante. Parece existir uma espécie de uníssomo das doutrinas, por exemplo, na exortação à moderação, na advertência contra o egocentrismo e a autonomia. Então, por que razão as religiões não haveriam de ser todas iguais? Por que razão o Deus dos cristãos haveria de ser melhor do que o Deus do índio? E por que razão haveria de existir uma única religião que levasse à salvação?
Essa proposta, que foi feita desde o início da investigação histórica das religiões no Ilusionismo, mas que também tinha sugerido antes, já é contraditória quando se consideram as próprias religiões. É que não são iguais. Há graus diferentes e há religiões manifestamente doentes, que também podem ser destrutivas para o homem.
A crítica marxista da religião tem razão na medida em que há religiões de práticas religiosas que são alienantes para o homem. Lembremo-nos, por exemplo, de que, na África, a crença nos espíritos ainda continua a ser um grande obstáculo para o desenvolvimento da terra e para a construção de uma estrutura econômica moderna. Se preciso me proteger dos espíritos por todos os lados e se um medo irracional determina todo o meu sentimento de vida, então o que deveria ser a religião certamente não é vivido como deve ser, no mais profundo de mim mesmo. E, assim, também podemos verificar que no cosmos religioso indiano (o nome hinduísmo é, antes de mais nada, uma designação enganadora que engloba uma multiplicidade de religiões) existem formas muito diferentes; algumas muito elevadas, puras, marcadas pela ideia do amor, mas também algumas formas muito cruéis, das quais fazem parte ritos homicidas.
Sabemos que os sacrifícios humanos marcam de forma horrível uma parte da história das religiões; sabemos que a religião política se transformou num instrumento de destruição e de opressão; conhecemos patologias na própria religião cristã. A queima das bruxas é a retomada de um costume germânico que tinha sido superado com dificuldade por meio da evangelização na Alta Idade Média e que depois, na Baixa Idade Media, voltou a surgir com o enfraquecimento da fé. Resumindo: os deuses não são todos iguais, há figuras divinas muito negativas, quer pensemos nos cosmos religioso grego, quer, por exemplo, no indiano. A ideia de igualdade das religiões fracassa, muito simplesmente, perante o fato da história das religiões.


Mas não seria possível aceitar também que alguém possa alcançar a salvação através de outra fé que não a católica?

Isso é uma questão completamente diferente. É perfeitamente possível alguém receber da sua religião as orientações que o ajudam a tornar-se uma pessoa mais pura e, graças às quais, se quisermos usar essa expressão, também agrada a Deus e alcança a salvação. Isso não está, de modo algum, excluído; pelo contrário, acontecerá certamente em grande medida. Só que deduzir daí que as próprias religiões são simplesmente iguais, que estão uma para as outras como num grande concerto, numa grande sinfonia, em que todas, afinal, têm o mesmo significado, isso seria errado.
As religiões também podem tornar mais difícil para o homem ser bom. Isso até pode acontecer no Cristianismo, devido à vivência errada do que é ser cristão, as figuras sectárias, etc. Nessa medida, também a purificação da religião na história das religiões e no cosmos das religiões é sempre uma enorme necessidade, para que não se torne um impedimento para a relação correta com Deus, mas realmente encaminhe o homem.
Eu diria que se o Cristianismo, a partir da figura de Jesus Cristo, se apresentou como verdadeira religião na história das religiões, isso significa que na figura de Cristo surgiu, pela Palavra de Deus, a força realmente purificadora. Não é necessariamente sempre bem vividas pelos cristãos, mas é o critério e a direção das purificações indispensáveis, para que a religião não se torne um sistema de opressão e alienação, mas sim um caminho que conduza o homem a Deus e a si mesmo.

Bento XVI diz que padre deve falar de Cristo, não de si mesmo


"O sacerdote não ensina as suas próprias ideias. O sacerdote não fala 'de si', não fala 'para si' [...]. O sacerdote ensina em nome de Cristo presente, propõe a Verdade que é o próprio Cristo, a Sua Palavra, o Seu modo de viver, e de seguir adiante".A Catequese de Bento XVI na Audiência Geral desta quarta-feira, 14, centrou-se no tema do ministério sacerdotal, mais particularmente no ofício de ensinar, comum a todos os padres.

"Vivemos em uma grande confusão acerca das opções fundamentais da nossa vida, sobre o que é o mundo, de onde viemos, para onde vamos, o que devemos fazer para agir bem, como devemos viver, quais são os valores realmente pertinentes. [...] Essa é a função in persona Christi do sacerdote, aquela de tornar presente, em meio à confusão, à desorientação de nosso tempo, a luz da Palavra de Deus, a Luz que é o próprio Cristo neste nosso mundo", explica o Papa.

A força profética do sacerdócio consiste em "não ser mais aprovado, nem aprovável, por qualquer cultura ou mentalidade dominante, mas no mostrar a única novidade capaz de operar uma autêntica e profunda renovação do homem, isto é, que Cristo é o Vivente, é o Deus próximo, o Deus que opera na vida e pela vida do mundo e nos doa a Verdade, o modo de viver".O ensinamento do sacerdote não deve ser exercido com a presunção de quem ensina a própria verdade, "mas, sim, com a humilde e alegre certeza de quem encontrou a Verdade, à qual está agarrado e pela qual foi transformado, e, por isso, não pode deixar de anunciá-la", sublinhou o Papa. Doutrina da IgrejaNesse sentido, o sacerdócio não é algo que a pessoa pode escolher para si mesma, ou um modo de garantir segurança na vida ou posições sociais. "O sacerdócio é a resposta ao chamado do Senhor, à sua vontade, para se tornar anuciador não de uma verdade pessoal, mas da sua verdade".

Bento XVI também ressaltou que os cristãos esperam do ensinamento do sacerdote a genuína doutrina da Igreja. "A Sagrada Escritura, os escritos dos Padres e Doutores da Igreja, o Catecismo da Igreja Católica constituem, neste contexto, os pontos de referência essenciais no exercício do munus docendi, também essencial para a conversão, o caminho de fé e salvação dos homens".Identificação e representaçãoO Santo Padre destaca que o anunciar uma doutrina que não é sua, particular, não significa que o sacerdote seja neutro, ou um mero porta-voz de um texto do qual não se apropria."A vida do sacerdote deve identificar-se com Cristo e, desse modo, a palavra não própria se torna, todavia, uma palavra profundamente pessoal", disse, agregando que o padre deve procurar assimilar como próprio tudo o que o Senhor ensinou e a Igreja transmitiu.Os ministros ordenados agem in persona Christi Capitis - na pessoa de Cristo Cabeça -, representam o Senhor. O Pontífice pergunta: "O que significa dizer isso? O que significa 'representar' alguém?"Bento XVI explica que, na linguagem comum, representar implica ocupar o lugar de alguém ausente. "O sacerdote representa o Senhor do mesmo modo? A resposta é: não, porque, na Igreja, Cristo nunca está ausente. Na verdade, Cristo está presente de um modo totalmente livre das limitações de espaço e tempo, graças ao evento da Ressurreição, que contemplamos de modo especial neste tempo de Páscoa".Assim, destaca que é a Pessoa de Cristo Ressuscitado que torna presente a sua própria ação através do sacerdote.

O Papa concluiu sua reflexão propondo o exemplo de São João Maria Vianney aos sacerdotes. "Ele era homem de grande sabedoria e força heroica no resistir às pressões culturais e sociais do seu tempo para poder conduzir as almas a Deus", afirmou.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O Dom da Indulgência

Entende-se por indulgencia a remissão perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada.O caminho da reconciliação tem o seu centro no sacramento da penitencia, mas também depois do perdão do pecado, o ser humano permanece marcado por aqueles “resíduos” que não o tornam totalmente aberto à graça, e precisa de purificação e daquela renovação total do homem em virtude da graça de Cristo, para cuja obtenção o dom da indulgencia lhe é de grande ajuda. A Igreja, é que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos. A Indulgência plenária só pode ser obtida uma vez por dia. Mas para consegui-la, além do estado de graça, é necessário que o fiel:

· Tenha disposição interior do completo afastamento do pecado, mesmo só venial (pecados perdoáveis);

· Se confesse sacramentalmente dos seus pecados;

· Receba a Santíssima Eucaristia;

· Ore segundo as intenções do Sumo Pontífice.

As indulgencias são sempre aplicáveis, a si próprio ou às almas dos defuntos, mas não a outras pessoas vivas sobre a terra.

Consiste nas indulgencias jubilares, o cumprimento de algumas obras:

· Obra de piedade ou religião: fazer uma piedosa peregrinação a um santuário ou Lugar Jubilar, como também visitar uma Basílica realizando algum exercício de piedade;

· Obra de misericórdia ou caridade: visitar durante algum tempo algum doente ou necessitado, como também contribuir com obras de caráter religioso ou social;

· Obra de penitencia (pelo menos por um dia): Abster-se de consumos supérfluos, ou fazer abstinência de carne.

Resumo de artigo, dado em Roma, na sede da Penitenciaria Apostólica, 29 de Janeiro de 2000.

Por Anderson Costa

anderson.cardosocosta@yahoo.com.br

Fazendeiro é condenado a 30 anos de prisão no caso Dorothy Stang

O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, acusado de ser o mandante da morte da missionária norte-americana Dorothy Stang, foi condenado a 30 anos de prisão, nesta segunda-feira, 12.

Essa foi a terceira vez que o fazendeiro, conhecido como "Bida", foi submetido a júri popular. Na primeira vez, ele foi condenado e na segunda, absolvido, mas o Tribunal do Júri de Belém anulou a sentença em julgamento de recurso de apelação movido pelo Ministério Público.

A sentença foi dada na noite de segunda-feira pelo juiz Raimundo Moisés Flexa, da 2ª Vara do tribunal. O fazendeiro foi condenado por homicídio duplamente qualificado. Vitalmiro teve a pensa agravada "pelo fato de a vítima ser pessoa idosa", segundo site do Tribunal de Justiça do Pará. "A tese defendida pela acusação foi de homicídio duplamente qualificado, praticado com promessa de recompensa, motivo torpe e uso de meios que impossibilitaram a defesa da vítima", acrescentou.

A irmã Dorothy foi assassinada em 2005, aos 73 anos, com seis tiros em um assentamento em Anapu, no Pará.

Fonte: Canção Nova

Bispos da Regional Norte II da CNBB reiniciam “ad Limina Apostolorum” do episcopado brasileiro

Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 12-04-2010, Gaudium Press) Recomeçou nesta segunda-feira, com a Regional Norte II da CNBB, a visita "ad Limina Apostolorum" que o episcopado brasileiro vinha fazendo desde setembro do ano passado a Roma e ao Papa Bento XVI e que fora interrompida por conta das festas de fim de ano e de Páscoa. Fazem parte da Regional os bispos dos estados do Amapá e do Pará.

Esta manhã, Bento XI recebeu em audiência no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo os primeiros prelados do grupo: dom Flávio Giovenale, de Abaetetuba; dom Alessio Saccardo, de Penta de Pedras; dom Jesús María Cizaurre Berdonces, Prelado de Cametá; e dom Bernardo Johannes Bahlmann, Prelado de Óbidos, todos no estado do Pará.

Entre os inúmeros compromissos, visitando os organismos da Santa Sé, os bispos participam na quinta-feira, na sede da Rádio Vaticano, de uma coletiva de imprensa. A visita "ad Limina" do Regional Norte 2 prossegue até o dia 26. Após os bispos do Pará e Amapá, será a vez do Regional Sul 2 da CNBB (Paraná), de 3 a 14 de maio. Com CNBB.

Fonte: Gaudium Press

Bento XVI envia doação às vítimas das chuvas no Rio de Janeiro

Com uma doação de 50 mil dólares, o Papa Bento XVI enfatizou sua solidariedade com as vítimas das chuvas e deslizamentos no estado do Rio de Janeiro. O Santo Padre enviou sua doação em dinheiro por meio do Pontifício Conselho ‘Cor Unum’ ao Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, por intermédio da Nunciatura Apostólica no Brasil.

Dom Orani foi comunicado sobre a doação de Bento XVI através de uma carta escrita pelo Cardeal Josef Cordes, presidente do Pontifício Conselho Cor Unum.

Com esse gesto, o Papa “quer sentir-se próximo das famílias que estão sofrendo, assim como daqueles que generosamente estão trabalhando nas operações de emergência”.

Cerca de 239 pessoas morreram em decorrência das chuvas e deslizamentos de terra no estado do Rio de Janeiro com as chuvas da última semana. A cidade com o saldo de vítimas mais pesado é Niterói, na região metropolitana da capital, com 146 mortes e 43 feridos.
Fonte : cancaonova.com

A Arte de celebrar a Liturgia



Precisamos imediatamente começar a realizar a arte de celebrar a Sagrada Liturgia, se quisermos tornar presente a visão expressa na Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II.
Primeiro, precisamos entender que o termo arte geralmente se refere a habilidades criativas que contribuem com a beleza. Entretanto, da forma como isso se aplica à Sagrada Liturgia, as habilidades humanas são subordinadas à realidade divina que está acontecendo. Quando o foco é no humano, separado do divino, a celebração da Liturgia sofre.
Não deve haver qualquer tensão entre a arte de celebrar e a plena, ativa e frutuosa participação de todos os fiéis. Infelizmente, no primeiro estágio de implementação da Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II, uma grande ênfase foi dada no aspecto externo da participação do povo. Como resultado, o foco na plena participação pendeu mais na direção do envolvimento de ministros leigos na Liturgia do que nas disposições interiores requeridas para fazer a participação mais frutuosa. Na Sagrada Liturgia é Cristo quem age. O que é incrivelmente importante é que nós somos interiormente unidos a Ele na oferta sacrifical que Ele fez uma vez historicamente e que é re-presentada na celebração sacramental da Liturgia. O Senhor é o artista. A nossa parte é estar unidos a Ele.
Logo, a arte de celebrar bem não é apenas questão de executar uma série de ações reunidas em uma unidade harmoniosa, mas uma comunhão profundamente interior com Cristo e sua ação auto-sacrifical e salvífica. Isto significa que o sacerdote precisa entrar em uma atitude profundamente reverente, totalmente concentrada e humilde, de fé e oração. Seu senso de temor tem que ser tangível. Seu desejo de viver o que está celebrando tem que ser reconhecido em sua vida.
Mais ainda, a Sagrada Liturgia é uma ação que foi confiada à Igreja. O celebrante não é dono da Liturgia. Ela não é sua para que possa alterá-la. A Liturgia é um presente, um tesouro, a ser respeitada e recebida com senso de reverência e protegida contra uma secularização inapropriada.
O próprio Cristo é o principal celebrante. O Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis (N.23), afirma esta verdade vigorosamente:

“É necessário que os sacerdotes tenham consciência de que, em todo o seu ministério, nunca devem colocar em primeiro plano a sua pessoa nem as suas opiniões, mas Jesus Cristo. Contradiz a identidade sacerdotal toda tentativa de se colocarem a si mesmos como protagonistas da ação litúrgica. Aqui, mais do que nunca, o sacerdote é servo e deve continuamente empenhar-se por ser sinal que, como dócil instrumento nas mãos de Cristo, aponta para ele. Isso exprime-se de modo particular na humildade com que o sacerdote conduz a ação litúrgica, obedecendo ao rito, aderindo ao mesmo com o coração e a mente, evitando tudo o que possa dar a sensação de um seu inoportuno protagonismo”.

Um dos grandes riscos ao celebrar a Missa voltado para o povo é que o sacerdote será tentado a atrair a atenção para si mesmo. Somos todos humanos. Mas o centro da ação é Cristo. A forma como falamos e agimos tem que atrair a atenção para esta verdade. Logo, um senso de temor e mistério deve perpassar a celebração com o silêncio apropriado e num espírito de oração. O que fazemos é Liturgia Divina. É eclesial em sua forma. Não deve estar sujeita a ajustes pessoais. É por isso que a correta arte de celebrar envolve aderência fiel às normas litúrgicas em toda a sua riqueza.
O Santo Cura D´Ars certa vez escreveu:

“Todas as boas obras juntas não se igualam ao valor do sacrifício da Missa, porque elas são boas obras de homens, e a santa Missa é a obra de Deus. O martírio não é nada em comparação a isso; ele é o sacrifício que o homem faz de sua vida a Deus; a Missa é o sacrifício que Deus faz ao homem de seu Corpo e seu Sangue”.

Deus nos conceda a todos nós que somos sacerdotes a graça de realizar e cumprir este papel maravilhoso de tal forma que verdadeiramente propiciemos a “plena, ativa e frutuosa participação de todos os fiéis”.
 

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