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sábado, 20 de março de 2010

JOÃO PAULO II, BENTO XVI E O SACERDOTE




Nos últimos dias, o sacerdote vem fortemente sendo comentado nas mais variadas esferas da sociedade. Desde as grandes conferências teológicas internacionais em Roma, até aqueles programas televisivos sensacionalistas, que insistem generalizar a fragilidade de poucos prelados, como algo de todos. Disto podemos concluir algo, o sacerdócio não é indiferente na sociedade hodierna, isto é, de alguma forma ou de outra, ele está presente, e mais do que nunca, diante de tantas polêmicas, se faz necessário uma reflexão sobre este ministério, que atinge todos nós, através dos sacramentos e de todos os meios salvíficos que Cristo deixou a sua Igreja. Não pretendo esgotar todo o conteúdo (o que seria impossível), e como sei que sou incapaz de esboçar o conteúdo de forma brilhante, trago aqui duas pessoas que façam isso para mim. Deixo-vos, meus caros senhores, a reflexão de dois grandes teólogos, do século passado e do presente, Karol Woytila (João Paulo II) e Joseph Ratzinger (Bento XVI). Na palavra destes dois, vocês podem confiar! Realizei esta pesquisa com muito carinho, diante deste ano sacerdotal, para fazer a valer a voz daqueles que realmente tem autoridade no assunto. Devido a extensão do conteúdo, as postagens serão feitas paulatinamente e por temas. Espero que apreciem estas reflexões.

O Vaticano II e a problemática do sacerdócio.

Aberta as portas do Vaticano II, muitos temas ressoaram e estremeceram os debates dentro do concílio. O tema sacerdócio por sua vez, enfrentou problemas, devido a perca de valor do conceito do sacerdócio na esfera da Igreja. Tanto que logo após o concílio, a crise existencial de sacerdotes, levou a uma evasão de padres simultânea, nunca vista na história da Igreja. No concílio como também depois, foi sentida duas grandes tendências e perspectivas diferentes sobre o sacerdócio, uma sócio funcional, que vincula o sacerdócio a serviço e a outra ontológica sacramental.

“Assim se confrontavam e se confrontam duas concepções do ministério sacerdotal: por um lado, uma perspectiva sócio-funcional que circunscreve a essência do sacerdócio ao conceito de “serviço” – concretamente serviço à comunidade no exercício de uma função no âmbito social da Igreja. Por outro lado, se encontra uma consideração ontológico-sacramental que, evidentemente, não nega o caráter de serviço do sacerdócio, porém o vê fundamentado no ser do serviço, e este ser sabe-se mais uma vez determinado por um dom concedido pelo Senhor através da mediação da Igreja, o que se chama de sacramento. Juntamente com a perspectiva funcional acrescenta-se um deslocamento terminológico. Evita-se claramente o termo marcado de sacralidade “sacerdote/sacerdócio”, que é substituído pelo termo neutro e funcional “ministério”, que, até então, não desempenhara papel algum na teologia católica” .
RATZINGER, Joseph. Convocados em el camino de la Fé. Trad: Padre Paulo Ricardo. Madrid, Ediciones Cristandad, 2005, p.159-180

Disto vem encontro uma distinção sobre a acentuação da função sacerdotal. De um lado temos à centralidade da Eucaristia para o sacerdócio (sacerdos-sacrificium), até então clássica no catolicismo, o primado da palavra, que até o momento fora tipicamente protestante. O Vaticano II diante destes questionamentos da Reforma, da modernidade se pergunta, até que ponto esta imagem típica do sacerdócio clássico pode progredir sem perder o essencial? O concílio não entrou profundamente nestas questões, mesmo porque eles acabaram de ser formuladas, e depois de tantas discussões sobre o mundo moderno, já não havia mais tempo e nem forças para tratar sobre a questão. Ratzinger ainda diz que o problema obteve atenção posteriormente ao concílio com “os sínodos de 1971 e de 1990 que retomaram o tema do sacerdócio e complementaram as afirmações conciliares; a Carta de Quinta-feira Santa do Papa e o Diretório da Congregação do Clero aplicaram tudo isso concretamente no dia-a-dia da vida sacerdotal” . RATZINGER, loc Cit.

Os desafios posteriores ao Vaticano II.

No final da década de 60 e 70, isto é, depois do Vaticano II ( 1962-1965), as questões da identidade sacerdotal que restaram do concílio, pediram respostas da Igreja. A situação ficou mais grave diante da profunda crise que a ordem sacerdotal encontrava. Ratzinger explica que devido ao conceito católico perder o seu valor original, daí segue-se a grande crise existencial, que tanto marcou a Igreja:

“Por um lado, esta crise foi resultado de um sentimento vital que havia mudado. Neste sentimento, o sagrado era cada vez menos compreendido, e o funcional era exaltado como única categoria determinante. Porém, por outro lado, a crise também possuía raízes teológicas absolutas, que, a partir de uma situação social em transformação, deu então origem a uma vitalidade imprevista” . RATZINGER, loc Cit.

Mas como João Paulo II respondeu a esta crise da identidade sacerdotal, que gerou ao mesmo tempo uma crise existencial? Peço-vos a paciência, pois o texto ainda está sendo elaborado. Mas aguardem a próxima postagem, que trás a resposta deste grande papa, a uma das maiores crises na ordem sacerdotal, da História da Igreja, ocorrida no século passado.

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