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terça-feira, 30 de março de 2010

Glorioso Sepulcro




Os habitantes da cidade de Gaza, acordando certa manhã, ficaram cheios de admiração. No dia antecedente haviam atraído Sansão para dentro dos muros, haviam trancado as portas, tinham posto guardas por toda parte, e depois, esfregando as mãos de contentamento, haviam-se escondido, dizendo: “Amanhã, ao raiar do dia, quando ele quiser ir-se embora, mata-lo-emos”. Ao invés disso, à meia-noite, Sansão acordando e querendo sair da cidade, quando se achou diante da porta fechada, tomou ambos os batentes com seus umbrais e com a tranca, arrancou-os do muro, lançou-os sobre os seus ombros possantes, e, correndo como se carregasse um cordeirinho, subiu a montanha que se erguia bem em frente, e chegou ao cimo antes que o sol nascesse (cf. Juízes XVI, 1-3).

Que outra coisa pode significar este fato da História Sagrada senão a ressurreição gloriosa de Nosso Senhor? E os cidadãos de Gaza não são, porventura, na perfídia, semelhantes aos judeus que se haviam alegrado por terem matado Jesus, de haverem lançado o seu corpo num sepulcro fechado e selado por uma pedra enorme, de terem chamado sentinelas para vigiarem as imediações? Porém Jesus é infinitamente maior e mais forte do que Sansão: Ele não somente arrancou as portas de uma cidade terrena, mas quebrou os batentes da morte e do inferno. Ouvi.

Era o domingo de madrugada. Em Jerusalém, ainda sepulta no sono, todos dormiam: e eis que algumas mulheres caminham silenciosamente, levando sob os mantos vasos cheios de perfume. Quando o sol, superada a linha das colinas, derramou a sua luz até no fundo dos vales, elas já se achavam no jardim de José de Arimatéia.

“Quem nos removerá a pedra da boca do sepulcro?”, murmuravam elas entre si. Mas a pedra, já removida, jazia alvejante e larga por entre o verde da erva tenra.

Assustadas, penetraram no túmulo: estava invadido pela luz. Sentado à direita, envolto numa túnica branca, um anjo esperava-as: “Não temais! Se buscais a Jesus Nazareno, não está aqui: ressuscitou. Ide, e dizei-o a Pedro, dizei-o aos discípulos!”

Felizes mulheres; a elas foi confiado anunciarem ao universo a ressurreição. “E era justo”, diz Santo Ambrósio; “assim como no princípio do mundo a ruína começou pela mulher, assim também agora a salvação devia ser primeiramente anunciada pela mulher: a primeira no mal, a segunda no bem”.

Mas feliz também o sepulcro! as mulheres para ali se haviam dirigido a fim de chorarem um Morto, a fim de perfumarem as carnes dilaceradas de um Crucificado, mas enganaram-se. Em vez da morte acharam a Ressurreição, em vez de um cadáver acharam um anjo, em vez de pranto acharam a alegria maior.

A visão do profeta cumpriu-se. Et erit sepulchrum ejus gloriosum: “e o seu sepulcro será glorioso” (Is XI, 10): glorioso pela fé, pela esperança e pelo amor que dele jorra nos séculos inexaurivelmente.

Há em Roma uma “via” famosa pelas suas ilustres sepulturas: de um lado e doutro das suas margens erguem-se ainda os túmulos dos cônsules e dos imperadores. Pois bem: que foi que esses túmulos produziram até agora? Que força emana daqueles soberbos mausoléus que os viajores ainda olham com olhos maravilhados? E que podem eles fazer senão proclamar, alto e sempre, a miséria e a vaidade de toda grandeza humana?

Não assim o sepulcro de Jesus ressuscitado: desde a hora em que as piedosas mulheres ouviram nele o anúncio da Ressurreição, toda alma que vem ao mundo olha para lá, a fim de acender a chama sobrenatural da sua fé, da sua esperança, do seu amor.

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