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sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Humanidade de Deus, ponto fraco do Diabo.




Nesta quaresma, somos todos convidados a entrar neste deserto que nos levará ao calvário, e contemplar o lado sombrio da história da salvação, onde o Amor Encarnado é pisado, desfigurado e morto. Mas por que contemplar o horror? Por que insistir olhar no que é pesado de mais para os olhos do homem? Não seria melhor fazer como nossos irmãos protestantes, e olhar para a cruz sem o crucificado, para esquecer este "detalhe" (que não é tão detalhe assim) vergonhoso da história da Salvação, onde o que os cristãos tem mais de precioso, simplesmente, morre? Ou como a sociedade em geral, que se deleita com o belo e atraente, desviando-se da dor e do sacrifício? Chesterton, que é um dos grandes nomes da literatura britânica, faz uma citação na sua obra Ortodoxia, do qual nos dará uma luz para este reflexão.

"O cristianismo é a única religião do mundo a sentir que onipotência tornava Deus incompleto. Apenas o cristianis¬mo sentiu que Deus, para ser totalmente Deus, deve ter sido rebelde bem como rei. Dentre todos os credos, o cristia¬nismo foi o único que acrescentou a coragem às virtudes do Criador. Pois a única coragem digna desse nome deve necessariamente significar que a alma passa por um ponto de ruptura e não se parte.[...] naquela história terrível da Paixão há uma distinta sugestão emocional de que o autor de todas as coisas (de algum modo impensável) não apenas passou pela agonia, mas também pela dúvida. Está escrito: "Não tentarás o Senhor teu Deus". Não, mas o Senhor teu Deus pode tentar-se a si mesmo; e tem-se a impressão de que foi isso o que aconteceu no Getsêmani.Num jardim Satanás tentou o homem; e num jardim Deus tentou Deus. De alguma forma sobre-humana ele passou pelo horror humano do pessimismo. O mundo foi abalado e o sol desapareceu do céu não no momento da crucificação, mas no momento do grito do alto da cruz: o grito que confessou que Deus foi abandonado por Deus".
Chesterton, G.K. Ortodoxia. Trad. Almiro Pisetta. Editora Mundo Cristão: São Paulo, 2007. p. 147-148

O texto acima surpreende, pois mostra que o contraste da dor e ressurreição, da fraqueza e do poder, se completam como em um quadro, onde as cores escuras em vez de prejudicar, realçam ainda mais sua beleza. Sim, era necessário que Cristo sofresse por inteiro, e que a Paixão, não fosse um teatro de um Deus Todo Poderoso, que não sentisse dor e morresse de mentirinha, como numa brincadeira. Esquecer o Jesus crucificado remete a uma insuficiência e tira o realce da História da Salvação que faz toda a diferença. E isto nos traz a grande vantagem, pois nosso Deus sentido a dor e a angústia na carne, foi o único na história das religiões que pode ter coragem.
Cristo, soube que seu calvário, era o ponto fraco do Diabo, que sua humanidade é a carta na manga, que o príncipe deste mundo não tem. O diabo na sua astúcia, soube calcular perfeitamente, onde deveria entrar em cena, na história deste mundo. Grande lógico, usou de todos os planos, teorias e alternativas. Supôs com sua artimanha vários planos de emergência, manipulou fazendo o certo parecer com o errado e o errado com o certo. Porém ele se esqueceu de um detalhe, ele não pode fazer ou criar nada, mas apenas induzir a fazer, ou não deixar que se faça. Quando a cruz foi estendida, Deus confundiu completamente o diabo. Mas como Ele teve coragem? Não era para ele seguir por este caminho? Seu grito deve ter sido terrível, bem se entende agora este cena no filme de Mel Gibson, "A Paixão de Cristo".
Pois bem diabo, você deveria ter percebido, que nosso Deus não é apenas de planos, mas ações. Deveria ter percebido isto, quando naquela tempestade horrível, onde Pedro caminhando sobre ás águas, e faltando-lhe a fé, você pelos seus cálculos disse que ele iria afunda, e de repente, Deus agiu, indo na direção de Pedro e com sua mão misericordiosa, segurou nas mãos de Pedro e o levantou. Você deveria ter percebido isto, quando os fariseus descobriram o adultério de Maria Madalena, e levaram até Jesus, e mais uma vez você com seus cálculos, você disse que ela seria apedrejada. Porém, Deus agiu, e os olhos do Senhor se encheram de Misericórdia, e aquela doce voz pronunciou, "Ninguém, te condenou, vais eu também, não te condeno". Mas como você saberia, se você nunca tocou na carne de alguém, que pede amor. Como você deveria saber, se você nunca tocou o amor humano, nunca ouviu alguém olhando na sua direção, dizendo, "Mestre, tu sabes que eu te amo". Você com todas suas provisões errou, por se esquecer que nosso Deus não é lógico, mas imprevisível. Por fim, como você deveria saber, se você nunca foi homem de verdade. Que pena! Seu plano de divindade fracassou, justamente onde a humanidade de Deus começou.


Willian Fernandes

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